sábado, fevereiro 28, 2015

Autopsicografias - Diários - Kafka

«Ípsilon«, 27 - 02 - 2015, pp. 16 - 17, artigo de António Guerreiro [sobre] A edição dos Diários de Kafka, pela Relógio D’Água, traduzidos com enorme competência por Isabel Castro Silva[...]

OU AQUI

Proferiu a pergunta a que um exército de exegetas irá tentar responder: “‘Quem sou eu, afinal?’”. Esta pergunta teve respostas diferentes, nunca faltou Kafka para todos os gostos: o santo, o culpado, o funcionário renitente, o homem que tinha “um mundo tremendo na sua cabeça”...


[este é um dos que C. «deixou de poder adquirir»...; pois é]

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Jone

Foi o Dia «D» do Princeso (+ D. + C. B. + ...)

Muitos anos em cerca de duas horas: MB, com L. e D.

General Z, de contente, até «Cresceu»

De LOnge anunciado, Dia que fica marcado... Para sempre


segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Luisa Dacosta

Terá sido no 1.º ano do MEST; logo, em 0203; talvez pelo início da Primavera; C. já pouco recorda...;

L. D. «desceu» ao Sul, convidada; nessa tarde, esteve rodeada por quem a lia e apreciava, um pequeno grupo - com P. M. a «celebrar»

Ninguém acertou no «oculto sentido» de O planeta desconhecido... (2000) [que ficou Para Sempre «em» C].; C. que, quando tinha V., o encomendava e oferecia a (para) «especiais»...]

Lembra-se bem, isso sim, do «brilharete» que fez, a encerrar,  o precioso A. F. que a General Z. lhe arranjou...

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Condomínios... - (MAPA DE ONTEM)

- reunião (da ADM) do COND. - (atrasada, claro) - «Rotativa», como sempre - desta vez,  os do «Terceiro») vão receber «uma Bela Embrulhada...»

- são 12, 13 (um de «aluguer», outro, bem...)

- salvo 2, todos vêm do Início - de quando o «Galhardo estava Novo...» 

=uma certa (Ex) Classe Média:

- 1, Reform. (e «passado»)

- 3, mantêm um elevado nível Econ. (2 na Hotel., 1 no Autom.)

- 5, com «quedas ligeiras» (Banc. + Banc + Cont. + Fisc. (?) + Tap)

- 2 com «quedas médias-grandes» (inclui C. + General Z...)

- o «costume»: todos «destacam» a gravidade dos problemas acumulados...

 [- quando é o «seu ano» - todos «passam a bola aos próximos» = ciclo vicioso...]

- Quanto a C., «calado, «o mais possivel», como sempre: 
A) [«ou fingem ou perderam mesmo a Memória...»] 
B) [procedeu ao  Inventário Mental dos que, num ano, envelheceram mais do que «é suposto envelhecer» num ano...,  a si mesmo se excluindo?]

[Retrato, não de Portugal, mas «do português»]   [Mensagem, «Bandarra»]

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Roma (Avenida)

 

Como é um território que percorremos toda a nossa vida? Será como
a nossa memória o guarda? Ou é, antes, a soma de muitas emoções
vividas? Texto de Alexandra Prado Coelho e Ilustração de João Catarino
 - Roteiro AUTOB. de  A. P.  Coelho, que ali viveu, numa evocação intitulada «A Avenida da Nossa adolescência», na «Revista 2», do Público,  de 16 de nov. - secção «Crónica Urbana» - texto disponível AQUI;

 REcorte:
[...] Mais à frente fica a Livraria Barata, e lembro-me bem de quando era apenas um corredor com um longo balcão que cheirava a madeira, onde eu ia comprar os livros para a escola.[...]

- em 81, D. «calcorreou-a» (e às R. adjacentes) durante o tempo em que, «zangado» com a HOT., «tentava» outro trabalho... com o «célebre» (e «polido» ou «Amável...) prop., o Sr. Barata,  teve «conversas» fora da «ordem do dia» [do VEND. de REGIST...  (!!!)] ;
«falhou», e «retornou aos estudos», para, dessa vez, os «terminar» (outras histórias...)
 
- na década de 90, e nos anos iniciais do Mil., até à CRise - todos os sábados,  de manhã, após as C. na Av. de Paris, C., então D.,  fazia «o ponto» na BERT e na BAR (agora, só esporadicamente...)
 
- aí mora A. E. [que tem agora a idade que A. P. C. evoca...] - Qd.a deste ano, que diz «vir o seu Nome da Madeira...» - com quem C. começou a falar há 2 anos, quando invadia o QUAD. de Mestre J. L. [...]
- pertence agora ao 1.º Bloco, FINAL... partirá em breve...
Well

sexta-feira, novembro 07, 2014

cigarro + bola de berlim + caracol [«Plot»]

Palácio 1415.  8 e 10. Sempre madrug., ao canto da 302, já estão, como de costume, I. R. +  P. A. [...]

C.: fumas muito, I.?
I.: [omite-se a resposta]

- e C.. lá voltou a contar a «história» [como ele gosta de a repetir, inventando INTERL...]:
- Mãe Velha dava-lhe um escudo por dia [tens ideia de quanto valia, em 67, 68, 69...?]

I.: "o meu avô «dava-me dois e cinquenta» para lhe comprar (o) tabaco..."
C.: ...«Provisórios» ou «Definitivos»... (que Nomes!), certamente [e descreveu as respectivas embalagens]


-[retomando] [depois de referir a Calçada S. C. de S., a história do NASC....]
- [...] dava para «dois cigarros» (vários «Estaminés», à volta do P. M.,  os vendiam...) OU para uma bola  de berlim ou um caracol (que, sendo «de Padaria», os mais baratos, eram, então,...) [... ou agora, na MemoFICÇão]  excelentes...) [...] logo, imagina qual foi a OPção...

[estás V., D.; «toma juízo», D.]



quinta-feira, outubro 23, 2014

MAPA DO DIA

- manhã cedo, C. «voou» para o Mult. - só para «confirmar» o  regresso de Facada - 6 «unidades de conta» ...
- «desabafou» com o Princeso - este «chamou-lhes Nomes» (de F. da P. «para cima»... - C., nestas ocasiões, volta às frases do Pai Velho:
- «Há mais marés que marinheiros»
- «Quem não está bem que se mude»
- para «mudar», é tarde - Há que «aguentar» -  basta regressar ao Início (quando C., então D., e a General estavam na «Força da I.»...)


domingo, junho 08, 2014

«245» (não «125 Azul»)

[na squência de EMEL trocado com a «Chefe» actual, E. S....]

[S. foi estacionado no «245», em FEV de 06, ....; há mais de oito anos; estoicismo, pois então; procura não se queixar  [...] - pois se, «ao lado», há «quarentões» sujeitos ao «CONT anual» -
 
- mas o Povo diz: «com o mal dos Outros posso eu bem»

sexta-feira, maio 23, 2014

Hoje, dia 23 de Maio ou «começar com Eugénio»

[faltam 7 dias para a L. T.]

Hoje, S. chegou ainda mais cedo ao Palácio 1314.

Já lá estava L. S. - H. Figura -
A conversa começou com as cerejas - literais - L. S. costuma trazê-las da propriedade materna, «lá para a Zona da Serra da Gardunha»
 «São  como as cerejas, as conversas», e L. S. contou  histórias da infância de José Fontinhas, natural da mesma aldeia - «Póvoa da Atalaia» - e outras, com o seu Humor [...] [não há termo que chegue para o classificar...]
Quanto ao que disse sobre J. F., mais tarde E. de A., «e o resto não digo»
 (N. C.)

sábado, maio 17, 2014

«Vivam os cabeleireiros!», por MEC

- é essa a frase final  da  crónica de hoje de MEC...

- a partir de «apontamento» do quotidiano de um Cabeleireiro, o Cronista «vai partindo a loiça», no campo das «mentalidades»

- pelas 11 e 30, S. leu-a a «General Z.», que «lhe achou graça»

- A «General», durante mais de 4 décadas  [as duas primeiras de EXP, com «todas as letras»] também fez as tais 14 horas diárias referidas [+ 6 ao sábado], engolindo à pressa «o corrupto mantimento», tal a violência e o Ritmo do trabalho;

- e o resultado? uma Vida Digna, construída «a Pulso» [também literalmente],
 a formação de «alto nível» do Princeso [...]
- a «insatisfação» da «General» é Tique, é do Feitio, não é de «Dentro...»
 
- ah, a Crónica de MEC, «Os grandes exemplos», do Público de hoje, 17 de Maio - lê-se AQUI

terça-feira, maio 06, 2014

Mãe (Dia da) - «quanto maior a lembrança...» - por MEC

[não há um dia em que D. - tenha o Nome que vá tendo - não pensa na mãe P. - um Diálogo Íntimo Interminável e não «verbalizável para o Exterior]

[leu, de manhã, a «doce-amarga» crónica de MEC, uma leitura crítica da Dupla Face da «Data Comemorativa»]

REcorte final:
[...]
No Dia da Mãe quanto maior a lembrança, maior a vingança. Na atmosfera pesa a  pergunta oprimente: “E os outros 364  dias do ano, são dias de quê?” Nunca está  escondida a contraproposta: “Olha o que  seria de ti, depois do dia em que nasceste,  se eu só tratasse de ti no Dia do Filho, uma vez por ano?” É por isso que não há Dia  do Filho. Não merecem. São uns ingratos.  Nunca hão-de pagar o que devem.

«O dia da culpa», Miguel Esteves Cardoso, Público, 05 - 05 - 2014, p. 45 
Texto integral: AQUI

sábado, abril 26, 2014

25 de Abril: «Onde estavas?»

[74 - Ano da «Grande Alegria» e da «Grande Tristeza»; da segunda, quase nunca   D. falou...;
Pensar, praticamente, todos os Dias...]

[D. tinha 18; era o Ano de «dar o Nome para a Tropa»; a Inspecção, «aos vinte»; começara a «complicar» o Futuro - com Média para qualquer C. de Ciências, decidira «parar para pensar»
 - oficialmente, dizia que não queria «sobrecarregar as Finanças da FAM»; por isso, ajudava na T.; na verdade, estava «minado» pela Dúvida, pela Indecisão... (outros Contos...)]

[à noite, com a Mana A., ia ao EXTERN. L. C., no Chiado, fazer outras DISC; aí frquentaram a Oficina de Y. M. H. - actor norueguês, consagrado intérprete de  Shakespeare (que dava aulas de Inglês, que viera com M. A., funcionária de Embaixada, com uma belíssima casa na subida para as «J. V.», virada ao Tejo); aí conhecera a Cam. («MRPP», uma das baleadas na A. M. C., a 26) e M. A. D. O. (que S. reencontrará num destes dias, após mais de...) (outros Contos....)]
 
- incrível como, estando o 226 de S. Paulo tão perto do Epicentro, só aí chegavam notícias confusas...; talvez porque, pensa agora S., trazidas pelos TRAB da M. Sul, que tinham passado ainda antes de...; pelas 10 e 30 veio J. T. (mais tarde, «MES», irmão do J. E. T. C. P.),  falando em  «Golpe de Direita»; mas D. foi várias vezes a casa, ouvir a Rádio, e a Coisa «definiu-se»;
- ainda foram servidos almoços; Pai Velho fechou a porta, mas, até quase ao final  da tarde - cinzenta, «morinhenta» -, iam entrando, para comer, beber, comentar...;
- relembra um grupo de turistas italianos, cerca de doze, que ali estiveram abrigados -, «muito juntinhos», durante cerca de duas horas - com  um ar entre o  curioso e o aturdido [inventa S. agora]
 
- depois, fui tudo para casa, logo ali ao lado, no 232, ouvir a Rádio e a Televisão, começar a dominar o ESPANTO... [no caso de D., encher-se de ALÍVIO, «cá uma destas sensações...»] [e «tudo de um dia para o outro»]

Aleluia

sábado, abril 12, 2014

A poesia do mundo - Tolentino de Mendonça

[primeira manhã de P. na Zmab; ainda pouco «lavado», i. é, atento ao Rugido]

[na manhã de leituras, surge a entrevista de José Tolentino Mendonça à nova revista Estante - a ler, na totalidade,         AQUI]

REcorte, da p. 23 [sublinhados acrescentados]:
[…]

Esse “viver no aberto” está relacionado com a imensidão do espaço que preencheu a sua infância em Angola [onde viveu entre os 12 meses e os oito anos]?

O professor João dos Santos diz que a infância é o grande segredo do homem e a Flannery O’Connor diz que quem sobrevive à sua infância sobrevive a tudo. (risos)

A sua infância e os lugares por onde passou definiram a sua vocação?

Criaram condições. De Angola, tenho memórias do espaço, um espaço a perder de vista, de todos os caminhos serem caminhos longos, de haver um silêncio da própria paisagem. Como se a paisagem nos pedisse um tempo mais vagaroso, mais paciente, mais demorado para a contemplação. E guardo dentro de mim a memória dessa imensidão. Lembro-me de, às vezes, ir de barco com o meu pai que era pescador. Tinha cinco, seis, sete anos, e lembro-me de olhar para o fundo do mar ou para a costa, e de estar completamente extasiado com a poesia do mundo. Essa contemplação espontânea acabou por me dar uma capacidade de perceber o grande que habita o mínimo, que habita o escasso. E nesse sentido, marcou-me muito.
[...]

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

«Manuel que é Jaime»

- ou «Jaime e a história de um baptismo na selva» - depoimento do «próprio» «Jaime que é Manuel» - na «série» «Brasil na estrada» - Vídeo de Nelson Garrido e texto de Hugo Daniel Sousa - no Público:

http://blogues.publico.pt/brasilnaestrada/2014/02/07/jaime-e-a-historia-de-um-baptismo-na-selva/

quarta-feira, outubro 30, 2013

O Padrinho

[«recuperada, parcialmente, de «Alpabiblio», de 20 de Outubro]

- ontem, «chez Princeso», em S. A. da C., reencontro com «o Padrinho» (dele, Princ) - A. M. F. - para S., o A. de «há cerca de» 44 PRIM
- após mais de 2 anos de «ausência» - parece que voltou a «reaproximar-se do que ERA» - Aleluia
(lá ficou, «INspirado», como sempre, por «quem é J., isto é, JOV»
- o MEDR. «não conta»]

quinta-feira, outubro 24, 2013

GENERAL Z.

Ontem, cerca das 20:10, antes do Dilúvio na LUZ.

G. Z.: Sabes quem é que vi hoje?
S. : Não. Diz lá.
G. Z.: A Z. S.!
S. [?????] Onde? Era mesmo a Z. S. ???????
G. Z.: Sim , sim. Na M. S. Ia a entrar para aquela Livraria de «coisas religiosas»...
S.: A Z. S. ???????? Na «Paulista»????
G. Z.: SIIIIIMM! Tornou-se muito religiosa, não sabias??
S.: [??????]
G. Z.: Engordou muito. Está muito Gorda.
S.: [???????]

[Não há (EN) (IDEN) Tidade que Resista ao olhar Clínico da General
ALELUIA]

domingo, outubro 20, 2013

Longe (1970) - Wight


Em finais de Agosto de 70 - Festival na ILha de Wight - ,
 S., então ainda D., já fizera 14. Ia (e vinha) de S. P.  ao P. M. (onde, em princípio, ainda não começara a «aparecer» o «MAESL»)
- isto é, vivia numa «Gaiola chamada P.», mas já «cheirava»,  no seu quotidiano, o que, muito pouco, «começava a vir de fora».

Então, quando, um dia, o A. A. M. C. (Nome Completo, que não esqueceu) apareceu com o «DUPLO VINIL» de «Woodstock» - não havia possibilidade de «compreensão» - agora, pela Distância, «já houve»

[Impossível, que tais «memo» não sejam (re) inventadas, ao ver «coisas assim»]
[Dizia A. M.F. - cerca de + 4 anos - , ontem, «que ainda ninguém, dos «círculos» por onde andaram, já escreveu uma AUTOB». Será?]

http://www.youtube.com/watch?v=vRuMgs4b1qk
 

segunda-feira, agosto 26, 2013

Nélida

[uma das «leituras Zmab» - S. vai na página 47]


RECORTE:

         Na primeira visita a Bayreuth, para a temporada operística, percorro o teatro concebido por Wagner [...]
Sob o beneplácito do gênio alemão, percorri a cidade, rastreando-lhe a figura e a da esposa Cosima, de ilustre dinastia, filha de Liszt e da Condessa d’Agoult. A mãe, além de parir filhos ilegítimos do extraordinário pianista, publicara o romance Nélida, com o pseudónimo de Daniel Stern. Um livro lido na adolescência, atraída pelo título. Na mesma ocasião havendo lido o outro Nélida, de Renata Halperin, autora argentina. Movida decerto pela curiosidade de saber o que se escondia sob a custódia de um nome que ambas as mulheres elegeram e que se concentrava agora na minha pessoa.
       Só na maturidade descobri, graças a Tarlei, que o título «Nélida» da condessa, e o pseudônimo que adotara, «Daniel Stern», formavam um anagrama. Não havendo sido o pseudônimo, ao  menos de sua parte, um mero acaso. Antes a deliberada escolha que desatava entre título e pseudônimo simetrias e perplexidades.
       Motivada por tais coincidências, participei à família materna o ocorrido. Encantada de constatar que, a despeito da aversão inicial do avô Daniel pelo nome da neta, pois me queria Pilar, como sua mãe, estávamos o avô e eu irremediavelmente enlaçados pelo anagrama, graças à pertinácia da tia Maíta, responsável por semelhante designação. [...]

Nélida Piñon, Livro das horas, Temas e Debates, 2013, pp. 8-9
[sublinhados acrescentados]


quinta-feira, agosto 01, 2013

Francisca (1981), de Manuel de Oliveira

[há muito que S. procurava - em vão - este filme
- graças à SANTA (NET) «reencontrou-o»:
[era no tempo da C. da C. - abril de 78 a dezembro de 80 - foram vários daí mais «os do PROC»
- vestidos de CRIADOS, figuraram, por alguns segundos, por «5 contos» - um terço de um salário mensal de então -
- foi um dia inteiro, na Casa do Alentejo - a observar os BASTIDORES - não esquece
[há fotografias - por onde andam é que S., então D., não se LEMBRA]

segunda-feira, junho 10, 2013

The Last Waltz


[recuperado do «Alpa», de Março]

- T. lembra-se de, nesse Verão (talvez o de 78), no Cinema aonde foi «OUver» o DOC de Scorsese, reencontrar  J. E. T. C. P.
(vai o Nome Completo, desta vez, até pelo Efeito de Linhagem) que, do «Cábula Futebolístico» do P. M. (sete anos, sete,  no mesmo Bloco!) se ia transformando num E. atento, crítico e «envolvido» em Causas várias
[um dos irmãos mais novos, P., E. e P., é um dos  Convidados do Momento das várias TV.s, nessa «Ciência»]
- [Imagem indelével, até porque, algum tempo depois, virá a notícia de que, de noite, numa estrada dos Açores, quando cumpria o S. M., o Zé T. fora atropelado mortalmente por um qualquer Idiota Etilizado]
- e por que é que «deu» a T. para ISTO? [...]
- cada Coisa tem seu Tempo

 

Regina(s) - em Portugal

[«recuperado» de «Alpabiblio», assim escapando ao «Apaga-Apaga»]
- há cerca de  4,5 anos que T. encontrou  um outro processo para  «ginasticar» a Mente:
- a Arte de Preencher Lacunas, «Saltos»

EXEMPLO [- com «didascálias» e tudo]

General Z: Lembras-te de termos ido ao Tivoli ver o espectáculo com a Elis Regina?
T.: Impossível [...]  (após infrutíferas tentativas para a «demover») - «Vamos à SANTA verificar as Datas»
-(foram - falecimento: 82 - «deixava dúvidas»          [porque, desde 78, 9...]
- (vindas a Portugal: final de 60.s, 68, 78.... [difícil] - 

[e, como «compensação» o vídeo, histórico, 68, em Portugal, no YTU:
https://www.youtube.com/watch?v=R6W8RC53LR4]

(de volta à cozinha)
General Z (lança nova Cifra) : «estava sozinha em palco» [...] ; [...] foi depois do «Sinhozinho Malta» [...]
T.AH (Aleluia) - Regina Duarte,  talvez por 2005 [...]             [corrige a Santa: 2004 - «Coração Bazar»]       
[Terrível, para a Memória, a Santa NET]  . MAs, «tudo acabou em Bem, afinal»
 

domingo, maio 12, 2013

Entre nefelibata e acrobata: MEC

Já há algum tempo que T. não referia um texto de Miguel Esteves Cardoso em nenhuma das Casas 

Deste, intitulado «Não ser acrobata», até General Z gostou logo.

Começa assim:
Era eu pequeno e, só falando bem inglês, o meu pai entrou em pânico e arranjou caixas de sapatos que enchemos de envelopes com cartões lá dentro. Em cada envelope eu escrevia uma palavra e, no interior, a definição, mais uma citação usando a mesma palavra.
Eram centenas de envelopes. O meu pai depois escolhia um ao calhas, lia a palavra ("indispensável") e desafiava-me a lembrar-me do que queria dizer. Dentro do envelope, escrito na minha mão, estava a resposta. Ele ajudava: "Como a água, o oxigénio, a comida (e entusiasmando-se), o dinheiro, tempo para ler..." [...]
Na página 53 do Público de hoje ou AQUI


domingo, março 24, 2013

«Inventário paralelo»

 
 [deslocado de Alpabiblio, assim escapando ao «Apaga-Apaga]

-  Júlio Isidro, num vídeo da série «Ler Mais Ler Melhor»  diz que o critério foi escolher livros a que volte com frequência

- T. fez também o seu «inventário de frequência», paralelo:

A) O mundo dos outros - histórias e vagabundagens, de José Gomes Ferreira [1.ª ed: 1950 - de antes de T. nascer]

- existia na casa de S. Paulo, na «Estante da Avó Formiga» [e «aí» continua, mas agora numa edição de 90 ]
T. não se lembra se na edição da Portugália, de 68 ou de 72 - lido e relido «vezes sem conta» - deve estar na Estante da A. [ a confirmar, um dia]

B) O que diz Molero, de Dinis Machado [1.ª ed: 1977]
- uma Revelação - BD em Texto Oralizante - , nas tardes da Fase da SMT - (Jan-Fev de 75 a Abril de 78), - lido, muito devagar, no «Lago dos Patos», do P. ED. VII; - terá ajudado T., então em M., no C. de S., a «sorrir» - que bom
[por onde andará? - porque, na E. da Sala, T. encontra a 13.ª, de....]
[lembra, mais tarde, com Qd.s do Palácio, o espectáculo teatral, com A. F. e J.P. G.]

C) (Novos, 1974) Contos do Gin Tónico, 1973, de Mário Henrique-Leiria
[estão ambos «à mão», na «Estante da Avó», adquiridos em 82, em 2.ª ed., de 78] - no interior, um cartão da M. B., da Madragoa [de Out. de 81 a 31 de Julho de 83, ano em que T. voltou a discip. do LIC...] - relembra T. que foram lidos nas Viagens de Cacilheiro (15+15; às vezes a Dormir)
Well
- foi longa a Viagem; se Secreta, não sabe, não, T.
 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Gréco, Juliette: «Nem fria nem distante nem segura»

Daniel Rocha

Gréco, Juliette [quem a não ouvia] na «1.ª pessoa»; 86 anos; com Mísia, Fado em Francês
[+ entrevista, por Ricardo Rezende e Tiago Bartolomeu Costa:
[...]
Aos três anos era feminista, aos 14 escapou de um campo de concentração e salvou a irmã de uma pena mais pesada, aos 16 viu-se sozinha numa aldeia chamada Saint-German-des-Prés, nesse mundo que era Paris durante a ocupação alemã. Aos 19 chegou ao teatro, o seu grande sonho. A mãe, resistente, que a levara para Paris em 1936, após a morte do pai (e a fizera correio do Partido Comunista), disse-lhe que ela tinha sido um erro. Nessa altura Juliette Gréco fazia já as noites da mítica Tabou, a discoteca onde parava tout-Paris. Todos quiseram que ela os cantasse, achando que, assim, a tinham. [...] uma voz que se confunde, hoje, com a própria história da música francesa. Uma voz sensual e grave que saía de um corpo franzino, vestido de negro, de cabelo cortado em franja arrumada. O mesmo que Jean Cocteau foi buscar para uma personagem escrita propositadamente em Orfeu.
[...]
+ Vídeo, AQUI, na Casa do Público]

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Autopsicografias

Virginia Woollf eT. S. Elliot -na Monk's House -  Ottoline Morrell 

- só agora T. chegou a este artigo
[de Lucinda Canelas, no Público, de 13 de Janeiro - AQUI ]
sobre «oito agendas que  a acompanharam [a Woolf] nos últimos 11 anos – «anos difíceis por causa dos longos períodos depressivos em que não chegava a levantar-se da cama» [...] «que  fazem parte da colecção da Universidade de Sussex», [...] “Esta colecção representa a vida de todos os dias, [...]”, diz Courage. “As nossas colecções relacionam-se com Virginia Woolf enquanto pessoa e não com a sua persona pública de romancista e ensaísta.”


domingo, novembro 18, 2012

Uma família - Rita Ferro

[T. não esquece o Programa de R. F. e M. Z., de 95, mas isso é outra história]

No vídeo intitulado «uma família chamada país», a propósito de prémio recente para a obra autobiográfica, A menina é filha de quem?, Rita Ferro percorre, com desassombro,  fotografias de família, cruzando o Íntimo com o Público 

AQUI

segunda-feira, outubro 22, 2012

Ruy Belo - «Morte ao meio dia» - Duarte Belo



Duarte Belo, o Filho, Fotógrafo, disponibiliza, do Pai, Ruy Belo, via Santa Net, diversa Memorabilia
(autógrafos como o apresentado, séries de fotografias, dversos objetos pessoais e documentais quer do artista, quer do homem),
 na sua mais recente revisitação da Casa -
«O Núcleo da Claridade - entre as palavras de Ruy Belo»
COMEÇAR POR AQUI

sábado, outubro 13, 2012

A pretexto de Moby Dick

Reconta-se, T.

Era o tio A.; «não-biológico» , por «afinidade».
Nessa altura ainda não trabalhava como Operário Metalúrgico numa pequena oficina na Rua da Rosa. Mas já alugava um quarto nas «águas-furtadas» do 224 da Rua de S. Paulo, com pilhas de «cowboyadas» (que Cheiro)
Empregado, na Rua da Boavista, numa Loja de Brinquedos,  que também vendia livros.
Nesse Natal (pelos 9, 10 anos de D.) ofereceu três livros ao Menino.

Todos da Verbo. Edições Ilustradas. Os Primeiros de capa cartonada.

A Ilha do Tesouro.
Moby Dick.
Branca de Neve e os sete anões.

Lidos, relidos, re-imaginados «vezes sem conta».

Hoje: Moby lido, capítulo a capítulo, por uma diferente voz. AQUI

quinta-feira, setembro 27, 2012

Lusíadas - O miúdo que o ia continuar

de: O míudo que pregava pregos numa tábua, de Manuel Alegre, de 2010 -

9
O míudo que conta as sílabas pelos dedos não se contenta em contar as dos outros, às duas por três começa a contá-las para si mesmo. E não está com mais aquelas, chama a irmã e confidencia-lhe: Vou continuar Os Lusíadas. Ela ficou um tanto assarapantada, mas leva a sério, como, aliás, tudo o que vem do irmão. Mas não consegue conter-se. Conta a uma amiga, esta a outra, que por sua vez conta a outra, a notícia vai dando a volta, chega ao liceu do irmão e à rua onde moram, os vizinhos comentam, entre eles um escultor célebre, mestre Barata Feyo, o único, diga-se de passagem, que não se escandaliza, acha natural, ao ponto de apresentar o miúdo a dois colegas professores de Belas Artes:
- É este o homem que está a continuar Os Lusíadas.
De modo que o miúdo que pregava pregos numa tábua não teve outro remédio senão o de tentar corresponder à confiança de tão ilustre artista. E meteu mãos à obra. Mas ainda hoje não sabe se conseguiu. E o escultor já cá não está para confirmar se sim ou não. Só a irmã, sem ironia, às vezes lhe pergunta: Ainda estás a continuar Os Lusíadas? Apesar da solenidade com que o pai lhes tinha explicado que ninguém poderia nunca continuar Os Lusíadas e que era quase um sacrilégio pensar que sim. Nem um nem outro ficaram convencidos. O miúdo que gostava de armar ao pingarelho acabou mesmo por dizer à irmã:
- O pai está enganado, não há nenhum poeta que não tenha querido continuar Os Lusíadas.

Manuel Alegre. O miúdo que pregava pregos numa tábua. Lx. D. Quixote, 2010, pp. 39-40

quinta-feira, setembro 13, 2012

Londres (de Alberto de Lacerda)

[re - arrumada, trazida de «Peribiblio»]

JL, n.º 1067, 24-08-2011 a 06-09-2011, página 32 (final)

Alberto de Lacerda (1928-2007)
[...]
3 de julho de 1985 - Yévre-le-Chatel
Arpad, criança, ouve na escola que determinado ilustre poeta húngaro tinha morrido pela pátria. Arpad pergunta à mãe: «Não se pode viver pela pátria?».

31 de Maio de 1986 - Lisboa
Feira do Livro. Encontro Herberto Helder no Mourisca da Fontes Pereira de Melo. (...) Fomos jantar à Cervejaria Trindade, de que eu gosto muito. Fizemos o nosso gossip, mas também se falou muito de poesia. Ele tem grande entusiasmo por muitos poetas. Recitámos à desgarrada Sá-Carneiro, Pessanha e outros.

3 de julho de 1986 - Londres
Ontem, vi Paula (Rego) pintar pela primeira vez: hesitações, gestos deliberados, por vezes quase agressivos, gestos hesitantes, pausas breves, às vezes, entre uma pincelada e outra. Pinta ajoelhada no chão. Quatro novas telas de uma maturidade absoluta.
A Ericeira aparece numa delas.

3 de julho de 1986 - Londres
A minha paixão física por Londres; de uma intensidade inusitada. São onze e meia da noite, e de repente, dá-me um desejo de ir por essas ruas fora, de percorrer certos recantos queridos, o Embankment em Chelsea, e entre Westminster e a Ponte de Waterloo, ruazinhas à volta de Victoria, e todas as sinuosidades de Chelsea, que as conheço de cor. Que estranho, tudo isto. E sinto-me feliz por amar Londres tão perdidamente.
[...]

sábado, setembro 08, 2012

Tolentino Mendonça

[«deslocado» de JOC]

[J. T. M. é amigo de A. M. F. - padrinho de J., o amigo de (quase toda)uma Vida de D. - que não o  conhece pessoalmente;
da obra poética, algo tem lido - indo «agorinha» G. à Estante da S., encontra oito livros]

na página 36 - última - secção «Diário», do JL, n.º 1076, de 28 de Dezembro -
J. T. M. cruza registos autobiográficos com ensaísticos - «um Diário (diferente)» regista a 1.ª página do quinzenário
- algumas dessas Entradas - não datadas:

[...] ***
Nasci numa ilha, a Madeira. A maternidade onde nasci foi derrubada, nos anos 90, quando se fez a ampliação da pista do aeroporto. Mas sei que nasci ali. Porque recordo minha mãe, ocupada entre as flores. E meu pai, que me trazia de presente, das longas viagens marítimas, um pássaro. Porque me recordo de ter lido, numa falésia, não longe de minha casa, um livro de Herberto Helder.

[...] ***
Talvez todos os livros que lemos e se tornaram inseparáveis , todo o tempo fascinado que dedicámos a uma imagem, os motivos inexplicáveis que nos fazem escolher determinada música, talvez tudo isso seja apenas a preparação que nos é requerida para olhar um rosto. Transportamos frases, fragmentos, vestígios: não sabemos dizer bem porquê, até que de repente, isso que eram palavras ou imagens ou uma coisa tão ténue que nem se pode descrever, assoma como forma, mais sensível ou mais intensa, de escutar aquilo que habita um rosto.

[...] ***
Havia uma noite, na minha adolescência, em que se acendiam fogos pelas encostas. Lembro-me de um grito que descia pelas levadas, aos tropeções, e entrava, de noite, com os rapazes, pelo mar dentro. Esse grito continha, e isso poderá parecer tão estranho ao mundo moderno, o nome da terra.

[...]***
Cheguei à poesia pela tradição oral e julgo que essa impureza sempre me contaminará. Há muito tempo ouvi, de uma mulher pobre que lavava o chão da Igreja, na terra da minha infância, o primeiro poema. Que ela me disse e eu conservei como uma história, não como um poema. Foram precisos anos e anos para chegar, de novo a ele. Era uma página da Bíblia, do livro do Cântico dos Cânticos. António José Forte escreveu: há "gente que nunca escreveu uma linha que fez mais pela palavra que toda uma geração de escritores". Sei que isso é verdade.

[...]***
Antes dos vinte anos escrevi, sem especial premeditação, o primeiro poema. Chamei-lhe «A infância de Herberto Helder»
[...]
 

CARTA DE MONTREAL (2.ª via)

[NOTA: o que se segue foi inserido no «JOC», em 31 de Outubro - é aqui reinserido, com mais um ou outro Corte;
neste momento, M. G. já regressou - o «Tempo engana-se ou não nas Casas onde mora?» - L. Represas]

[M. G. foi para Montreal.
Para G., a Menina é M. A. P., pelo Avô]

Alguns Recortes da sua última Missiva
- devidamente autorizados pela própria - e com acentos «recolocados»
- visão desassombrada - só possível com o Tempo e, ou, a Distância, tal como «prega Frei G.», que também serve para «problematizar» um termo da «Moda»: Globalização

SEGUNDA-FEIRA, 17 DE OUTUBRO DE 2011
escola
      O Canadá, ou melhor, o Quebec, não é aquele sítio onde tudo acontece bem, no tempo certo e em que todos os aspectos da sociedade coabitam em harmonia; aliás, foi preciso eu afastar-me de Portugal, melhor dizendo, de Lisboa e da querida A. A., para começar a perceber a sorte que eu sempre tive e fui tendo [...].
    Aqui, o ano [...] equivalente em idade ao meu 12.º chama-se «5ieme secondaire»; depois desse último ano, os estudantes vão para o Cgep - college - que é uma espécie de preparação antes da universidade, já na área escolhida, e que dura dois anos, e só depois entram para os verdadeiros cursos.
      As disciplinas do 5ieme secondaire são pobres em conteúdo e muito fáceis; artes plásticas não presta e é a opção que toda a gente escolhe para não ter química e física, ou seja, são horas para passar o tempo e fazer uns gatafunhos de imaginação (como se fosse algo muito sério e interessante, o professor fala da matéria como uma grande aprendizagem que ali estamos a ter....; enfim).
      Tenho muitas saudades de desenhar, ter aulas de desenho com tempo contado, com metas, até regras, mas regras que façam sentido - não como as que há aqui. [...] . Sinto que estou a «emburrecer»; ou melhor, que não estou a ser estimulada e que não me consigo auto-estimular tanto como quereria. "Tem calma, isso há-de vir", dizem-me todos os daí, [...]; mas eu gosto muito de aprender, [...]
        
[...] Aqui, os estudantes do ensino obrigatório são tratados como crianças, todas iguais, que não sabem decidir por si e que por isso têm é que seguir as regras e calar-se. Não há casacos sem ser do uniforme [...]; não se come fora da cantina; não se pode ir aos cacifos, se se chegar atrasado, ou ir buscar algo essencial durante as aulas; [...]
    Como é que é suposto que estes estudantes acabem o secundário sem opinião? Por que é que, para variar, não estou no «mesmo comprimento de onda» da maioria das pessoas que tenho à volta, o dia inteiro? [...]

     Que não se deixe de fazer crescer os alunos A. A.; saem de lá com alguma coisa que realmente interessa na cabeça. [...]
[alguns sublinhados acrescentados]

 

sexta-feira, setembro 07, 2012

«não somos o que temos a certeza de sermos»

[Transplantado do «Alpabiblio»]

As biografias
António Lobo Antunes,
16:30 Quinta feira, 10 de Mai de 2012, Visão

[ler o texto completo no Endereço da Visão]

        Gosto muito de ler biografias mesmo sabendo que não biografam nada. Contam factos, acumulam testemunhos, relatam acontecimentos mas é tudo por fora, e saio delas sem conhecer um pito da pessoa a que o livro se refere. Sem conhecer um pito do que a pessoa é. Fico ao par de uma casca, porque o acesso ao miolo é impossível e o conhecimento da intimidade nos está vedado. Queria uma vida e dão-me historinhas. Porém, como gosto de historinhas, divertem-me. Não se consegue ter acesso ao interior de um homem ou de uma mulher através de episódios inevitavelmente exteriores. O que eles sentiram permanece inviolado. Sabemos dos seixos ou das algas na praia, não sabemos do mar. Extractos de cartas, de confissões, de confidências e a certeza que outras coisas por baixo, que as coisas importantes por baixo, intactas. Scott Fitzgerald sustentava não se poder contar a vida de um escritor porque ele é muita gente. Para mim não é isso, é a incapacidade de aceder ao fundo. Ficamos na espuma ou, na melhor das hipóteses, um bocadinho abaixo da espuma.
[...]
E se, por hipótese, eu publicasse a biografia de António Lobo Antunes não publicava a biografia de António Lobo Antunes nenhum, publicava a minha noção dele, dado que aquilo que somos, para nós mesmos, não passa da fantasia do que somos. A vida é um jogo de espectros, ainda que de espectros sinceros. E o que é a sinceridade? Mentir melhor, genuinamente convencidos que não mentimos? Nada é o que parece, afirmava Cortazar e, inevitavelmente, não somos o que temos a certeza de sermos.
[...]
[...] E a nossa vida, deixemo-nos de tretas, é feita de acontecimentos minúsculos, cujo carácter microscópico me encanta. Os breves surtos de grandeza da nossa existência são tão breves! Merecemos morrer porque a nossa dimensão é quase nula, desaparecermos, como as minhocas, no interior da terra. Não há grandes homens: há actos que, às vezes, são grandes e, acabados esses actos, regressamos de imediato, ao nosso curtíssimo tamanho, bichos da terra tão pequenos, ó irmão Luís.
[...]                                   [sublinhados acrescentados]

Ler mais: http://visao.sapo.pt/as-biografias=f663502#ixzz1ufd91CZ1
 

terça-feira, agosto 28, 2012

A menina Cleo

        RECORTE do artigo-entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Cleonice Beraldinelli (96 anos, hoje)
 
        Foi uma menina bem-comportada, aluna de dedo no ar, de nota máxima, filha de oficial do exército. “Papai tinha livros de engenharia e coisas militares e mamãe uma bibliotecazinha sobre Napoleão Bonaparte.” Três irmãos, contando com ela. E como o pai foi transferido várias vezes, cresceram entre mudanças de casa: [...]
      Cleonice aprendeu a ler e tocar piano antes mesmo de entrar na escola.“Com quatro anos já sabia sonetos. Papai e mamãe tomaram uma professora de declamação.” Começou a declamar para as visitas. “Nunca fiquei nervosa por falar, sempre fui muito despachada. Mamãe gostava muito de poesia e em Itu [estado de São Paulo] representei no teatrinho do quartel A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas. É a minha primeira reminiscência portuguesa.”
        Aos 12 anos já sabia “uns 200 poemas”, sobretudo brasileiros. “Não havia visita que não tivesse de ouvir a menina.”
 
Público, 28- 08 - 2012, pp. 26-27

 

terça-feira, agosto 14, 2012

«Recherche»


[…] É certo que o belo rosto da minha mãe brilhava ainda de juventude nessa noite em que me segurava as mãos com tanta doçura e me procurava deter as lágrimas; mas, justamente, parecia-me que não devia ser assim, que a sua cólera teria sido menos triste para mim que aquela suavidade nova que a minha infância não conhecera; parecia-me que, com mão ímpia e secreta, eu acabava de traçar na sua alma uma primeira ruga e de nela fazer surgir um primeiro cabelo branco. Esta ideia redobrou-me os soluços, e vi então a minha mãe, que nunca se deixava levar por qualquer enternecimento comigo, ser de repente invadida pelo meu, e tentar reter a vontade de chorar. Como sentiu que eu tinha dado por isso, disse-me a rir: «Aqui está a minha moedinha de ouro, o meu canarinho, que vai fazer da mãe uma palerminha tão grande como ele, se isto continua assim. Ora vamos lá a ver, se não tens sono e a tua mãe também não, não fiquemos para aqui a enervar-nos, vamos fazer qualquer coisa, pegar num dos teus livros.» Mas não os tinha ali. «Terias menos prazer se eu te mostrasse já os livros que a tua avó te vai dar no dia da tua festa? Pensa bem: não ficarás desconsolado por não teres nada depois de amanhã?» Eu, pelo contrário, estava encantado, e a minha mãe foi buscar um pacote de livros, nos quais apenas consegui adivinhar, através do papel de embrulho, o tamanho alongado, mas que, sob este primeiro aspecto, apesar de sumário e velado, já eclipsavam a caixa de tintas do dia de Ano Novo e os bichos-de-seda do ano anterior. Eram La Mare au Diable, François le Champi, La Petite Fadette e Les Maîtres Sonneurs. A minha avó, soube-o depois, começara por escolher as poesias de Musset, um volume de Rousseau e Indiana; porque, se é certo que considerava as leituras fúteis tão malsãs como os bombons e os bolos, não pensava que os grandes sopros de génio tivessem sobre o próprio espírito de uma criança influência mais perigosa e menos vivificadora que sobre o seu corpo o ar livre e o vento do largo. Mas como o meu pai quase lhe chamou louca ao saber dos livros que ela pretendia dar-me, voltara pessoalmente a Jouy-le-Viconte, à livraria, para que eu não corresse o risco de não ter o meu presente […] e mudara para os quatro romances campestres de George Sand. «Minha filha», dizia ela à minha mãe, «eu não era capaz de me decidir a dar a esta criança qualquer coisa mal escrita.» [...]

Marcel Proust. Em busca do Tempo Perdido – (tradução de Pedro Tamen) Vol I – Do lado de Swann, Círculo de Leitores, 2003, pp. 45 – 46