[rapidamente lido, irá provavelmente para a «Mesa das Trocas»...]; não foi; colocado numa EST. do CORR, «Secção C. B»...
RECORTE(S):
[...] E às 16h45, hora em que os times estavam prestes a entrar em campo, ouvi o chamado: Brasiliano!
Eu nunca tinha visto uma televisão de verdade, [...] E agora o Amadeo me levava correndo à Via Topino, onde funcionava uma loja de electrodomésticos que recentemente passara a vender a grande novidade. Havia uma aglomeração defronte da vitrine e o Amadeo pediu prioridade para o brasiliano bem na hora em que a banda acabava de executar nosso hino. Envaidecido, grudei o nariz na vitrine, a uns dois metros de distância da meia dúzia de aparelhos [...] Às vezes a imagem numa tela se punha a rodar para baixo, no que era imitada pelas outras telas, e o vendedor vinha regular uns botões para aplacar nossos protestos. A transmissão também apresentava uma espécie de chuvisco, que se misturava à tromba-d´água que caía em Berna encharcando o gramado. [...] Lá estavam o Castilho, o Pinheiro, o Didi, nomes que eu não me furtava a recitar em voz alta sem molestar os telespectadores ao meu redor. Ao contrário, eles estavam admirados de ver pela primeira vez um brasileiro de carne e osso e me pediam informações suplementares às do locutor italiano: não, o centromédio Bauer não era alemão, não, o centroavante Índio não morava na selva, nem os laterais Djalma Santos e Nilton Santos eram irmãos, tanto que um era preto e o outro, branco. [...]
Chico Buarque, Bambino a Roma, 2024, pp. 91-92
[artigo de Isabel Coutinho, no «Ípsilon» + Um capítulo]
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