[na p. 152, de 214]
RECORTE: No meu sétimo aniversário, a 30 de Dezembro de 1953, a minha mãe surpreendeu-me com a nossa primeira viagem juntas, de trólei, até à livraria Leary´s. Era um grande edifício de três andares, com um telhado inclinado. Contando com a cave, havia quatro pisos de livros e uma mezzanine. Os livros infantis ficavam no piso superior. Mostrei orgulhosamente ao senhor Leary a minha certidão de nascimento e entreguei-lhe um dólar. Era política da loja deixar as crianças encher um saco com livros no dia do seu aniversário. A minha mãe deixou-me lá a escolher os meus livros e foi trabalhar [...] Nessas horas preciosas rodeada de livros, estive completamente sozinha, uma manhã inteira de alegria absoluta. O senhor Leary veio ver se eu precisava de alguma coisa e reparou nas minhas pilhas, de onde ia escolhendo e eliminando. Tens bom olho, disse-me, pegando num exemplar de Um cântico de Natal encadernado em camurça verde surrada, com o nome de Dickens gravado a ouro. A minha mãe voltou para me apanhar na sua pausa de almoço. O senhor Leary disse que eu escolhera tantos livros preciosos que em breve estaria falido, e ofereci-me acanhadamente para devolver metade. Em vez disso, ele ofereceu-me o célebre marcador de livros Leary, com um cavalheiro de outros tempos em cima de um banquinho vermelho a escolher um livro
Patti Smith, Pão de Anjos, 2026, p. 53 - 54
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