quinta-feira, maio 21, 2026

Clube do Livro

 - 04 : 00; primeiro desligar da MÁQ.a APN)

- Feijó. Primeiro encontro do Clube do Livro, para Ofertas e Trocas, na Sala. Já adiantada a noite, foram entrando 3 vizinhos. Apesar de lhes ter sido pedido que falassem baixo, inevitavelmente acordaram a General. D. foi à cozinha explicar-lhe o que acontecia. Antes de voltar para o quarto, a General deu meia volta pela sala, com um copo de sumo numa bandeja...[...];

terça-feira, maio 19, 2026

«o rosto do pai», Patti Smith

 [terminado hoje de manhã, na ESPL do RTA]


RECORTE(s):      No dia da Independência, não me sentia bem. [...] Sentei-me durante horas a recuar dentro de mim, célula a célula, em busca dele, em busca dos lados de mim que viriam dele. Sem um verdadeiro desígnio ou previsão, mergulhei a fundo no cérebro do meu computador. Aconchegada por várias almofadas, procurei cruzar cada pista que recolheramos acerca do meu pai biológico. À medida que a noite avançava, a cidade foi ficando estranhamente silenciosa, esvaziada de foliões. Começava a sentir-me cansada, mas o desejo de ver o rosto dele fazia-me continuar. E então, por volta das quatro da manhã, quando estava prestes a desistir, deparei-me com o PDF de um exemplar do jornal The Torretta Flyer, de Redondo Beach, na Califórnia. Na secção chamada «The Last Mission» estavam três soldados que tinham morrido. Sabia que era o meu pai quando lhe vi a cara, um jovem artilheiro de cabelos pretos ondulados e mãos nos bolsos em frente a um quartel caiado em Bari, Itália. Chamava-se Sidney. Revi-me, na minha juventude, naquela postura, naquele olhar insolente, e contemplei a imagem dele até à alvorada, desconhecido porém presente, tal como a lua nova apanhada nos corredores entre as margens da terra e do céu.

                                             Patti Smith, Pão de Anjos,  2026, pp. 269 - 270

domingo, maio 10, 2026

No sétimo aniversário, um saco de livros... [Patti Smith]

[na p. 152, de 214]

RECORTE:      No meu sétimo aniversário, a 30 de Dezembro de 1953, a minha mãe surpreendeu-me com a nossa primeira viagem juntas, de trólei, até à livraria Leary´s. Era um grande edifício de três andares, com um telhado inclinado. Contando com a cave, havia quatro pisos de livros e uma mezzanine. Os livros infantis ficavam no piso superior. Mostrei orgulhosamente ao senhor Leary a minha certidão de nascimento e entreguei-lhe um dólar. Era política da loja deixar as crianças encher um saco com livros no dia do seu aniversário. A minha mãe deixou-me lá a escolher os meus livros e foi trabalhar [...] Nessas horas preciosas rodeada de livros, estive completamente sozinha, uma manhã inteira de alegria absoluta. O senhor Leary veio ver se eu precisava de alguma coisa e reparou nas minhas pilhas, de onde ia escolhendo e eliminando. Tens bom olho, disse-me, pegando num exemplar de Um cântico de Natal encadernado em camurça verde surrada, com o nome de Dickens gravado a ouro. A minha mãe voltou para me apanhar na sua pausa de almoço. O senhor Leary disse que eu escolhera tantos livros preciosos que em breve estaria falido, e ofereci-me acanhadamente para devolver metade. Em vez disso, ele ofereceu-me o célebre marcador de livros Leary, com um cavalheiro de outros tempos em cima de um banquinho vermelho a escolher um livro

                                                 Patti Smith, Pão de Anjos,  2026, p. 53 - 54