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quinta-feira, agosto 13, 2026

«do início do mundo» (Maria Grazia Calandrone)

- romance Biográfico (e Autob.º) centrado na Figura da Mãe OU de como a Ficção (transfigurando parcos documentos e, ou, testemunhos...) transforma a Ausência em Presença [e, como sempre, usando a Hipotipose*...]; alcançada a p. 164, de 275;

RECORTE(s):

     Leva mais de um mês até ela me ter de volta. Um mês que decorre, para Lucia e para mim, de um modo que decido não imaginar. Vimo-la* apenas a olhar pela janela no Viale Monza: inspirada por uma voz que vem do futuro - a minha -, o rosto apoiado nas mãos, a respiração irreprimível e em fúria imensa, um caleidoscópio de luz e carácter que a transforma. [...] 
    Num tão difícil contexto de ilegalidades e violências, não sei a que artes mágicas ou súplicas recorreu Lucia para me reconduzir a si, mas, a 1 de Dezembro, eu, minúscula, fui libertada e entregue à minha mãe, que «está temporariamente em Milão, na casa do seu tio, Giuseppe Di Pietro».

       Maria Grazia Calandrone, Escrito com sangue na água - A minha mãe, um assunto dos jornais, [2022], 2026, pp. 149-150

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

«Olho de Boi» (de «Consumo Obrigatório»)

 - V. C. designa como «Conto» cada «Etapa - Capítulo» deste Roteiro [um por Ano e por «Poiso Nocturno»...] +  ABG na 3.ª Pessoa Verbal = Duplicação do ...];- lidos os 2 finais, 2001, 2002, segue-se agora a «Ordem Cron.a» [vai-se na p. 38, final de «Colibri, Costa da Caparica, 1970»]

RCORTE(s) da p. 9:
     Desde os quatro anos, altura dos primeiros momentos da percepção do mundo e da sua incomensurável complexidade, tinha-se dado conta da sua falta de capacidade para a  imposição

          Virgílio Castelo, Consumo Obrigatório - Memórias de boîtes, discotecas, bares e afins..., 2026, p. 9

domingo, julho 13, 2025

«peutitá», «la petite est lá»

[do artigo de hoje no «Público»]

[...] Dessa viagem que levou a família através de França, até Perpignon, onde se prepararam para cruzar a fronteira com Espanha, até à entrada em Portugal e, finalmente, a partida num navio que saiu de Lisboa, em direcção a Nova Iorque, diz ter apenas “duas memórias enevoadas”. Ambas recuperadas com intervenção do marido, também ele um sobrevivente do Holocausto.
    “Muitos anos depois da guerra, o meu marido levou-me ao local onde atravessámos a fronteira para Espanha e assaltou-me uma imagem da minha mãe a segurar-me, ela tinha um vestido azul e um chapéu de palha azul. Infelizmente, ela já tinha morrido, por isso não pude perguntar-lhe se estava mesmo assim vestida quando cruzámos a fronteira”.
O visto para a família de Mireille foi passado em Toulouse, por Emile Gissot, sob ordens de Aristides de Sousa Mendes


      A outra vem de uma palavra de conforto que se recorda de usar quando era ainda muito pequena e se sentia triste ou angustiada: “peutitá”. “Quando chegámos a Perpignon a minha irmã precisava de sapatos novos e eu, um bebé pequeno, afastei-me. Encontraram-me algum tempo mais tarde, com as pessoas a gritar: ela está aqui. Depois de falar ao meu marido naquela palavra de conforto que eu usava ele perguntou-me: ‘Sabes o que significa?’. Eu disse que não fazia ideia, mas que era algo que me fazia sentir melhor e que me lembro claramente de usar depois de chegarmos a Nova Iorque. Ele então disse-me que o som daquela palavra era o mesmo da frase, com sotaque provençal, ‘la petite est la’. A pequena está ali. De quando me encontraram.” [...]

terça-feira, julho 18, 2023

«O primeiro Dia...», Serena Cacchioli

 - após algumas semanas nas Mesas FNC, despertou a atenção de R.; são 109 curtas narrativas AUTOBIOG.as, tendo como motivo central a Figura Materna; lidos, hoje, dia 18,  apenas cerca de 20, que recorte(s) reproduzir, eis já a dificuldade...; terminada a 20, em S. TEOT., na espera do jantar para a GENER...; 

RECORTE(S):
103 / Antes de ser internada pela última vez em Setembro, a mãe tinha firmemente decidid0 que me acompanharia no primeiro dia da escola primária [...]
   A Ada contou-me que eu estava radiante. Havia muita gente [...] Para me acompanharem, para a acompanharem
 

 Serena Cacchioli, Demasiado estreita, esta morte, 2023, p.146

quinta-feira, julho 13, 2023

Zmab, dia 6 +

  [pelas 8 e 30, da ESPL. da Dona L., viu passar C. T., o ARQ,o; pelas 10 e30, no EUROM, reencontro com Qd,a de 2000; o «mesmo olhar», falar, rir, tiques expressivos...; atingida a p. 131 de «O infinito...»]

RECORTE(S):

    49 / [...] A minha mãe lia-me histórias à noite. O nosso pequeno teatro nocturno não estaria em perigo enquanto eu não soubesse ler. O que queria mesmo era aprender a escrever Quando era pequena achava que os livros tinham sido escritos para mim, que o único exemplar do mundo

Irene Vallejo, O infinito num junco, 2020, p. 131

quarta-feira, julho 12, 2023

«Primeiras histórias»

 [atingida a p. 111, na ESP. do R.]

RECORTE(S):

    37 / Quando era pequena achava que os livros tinham sido escritos para mim, que o único exemplar do mundo estava em minha casa. Estava convencida: os meus pais [...] tinham-se ocupado, nos seus momentos livres, de inventar e fabricar as histórias que me ofereciam. As minhas histórias preferidas, que eu saboreava na cama, com a manta até ao queixo, na voz inconfundível da minha mãe, existiam, claro está, só para que eu as ouvisse. E cumpriam a sua única missão no mundo quando eu exigia à gigante narradora: «Mais!»

Irene Vallejo, O infinito num junco, 2020, p. 109

sexta-feira, outubro 05, 2018

Primeira Imagem

- da 1.ª F. de Expressões, de 1819:

- «[...] Recordo-me, mas por me ter sido contado muitas vezes, da primeira vez em que provei gelado. Pedi para o porem no «micro-ondas», porque estava demasiado frio»
S. G., 3.º Bloco

quinta-feira, setembro 14, 2017

A primeira Frase

- «De quem é este casaco?»
seguida de:
- «Que horas são?»

Foram as duas «Iluminações», os dois primeiros «encadeamentos» saídos do Armazém de «palavras soltas»  = «Princípio DA mÁQUINA Frásica» - que proferiu A. (Mestre de [...] e Grande Leitora),  que contou o susto que a Avó apanhou quando as ouviu, «como que vindas do NADA...»
[talvez o mais interessante de ontem = 2 C. de T.]
[A. ficou de perguntar à mãe os «exactos meses...»]
[«acrescento», a 16 de Out.: durante «x» semanas seguintes, não houve mais frases...]

sábado, fevereiro 06, 2016

Do Início do Mundo - Eduardo Lourenço

[do mesmo end. da entrada acima-abaixo]

Qual é a memória mais antiga que tem de si?
É a do Porto. Embora tenha nascido na Beira, numa terrinha, vim para aqui pequeno. As primeiras imagens que tenho da vida são do nevoeiro, das fábricas, do nevoeiro que atiravam as chaminés. A família repercute esse género de memórias. Lembro-me da frescura de uma fonte onde o meu pai, que era militar, ia buscar água – é uma imagem rústica daquilo que era uma cidade. A imagem que mais me aterroriza, quando estou distraído, é a imagem de um vermelho sangue, que penso que era de um camião que distribuía a carne. Uma outra imagem, que não é do Porto, mas de Matosinhos, creio eu, é a da primeira vez que vi o mar. Da minha aldeia não se via o mar.

O que é que mais o impressionou? A imensidão ou a profundidade?
Eu devia ter dois ou três anos no máximo. Naquela altura não falava tanto! O mar deixa-nos literalmente sem fala. A imagem não era tanto um mar, mas um barco às avessas, pousado na areia, com aquelas cores, o azul, o vermelho. Da minha aldeia, a imagem que guardo, que é uma segunda imagem, é a da chegada, em cima de uma coisa enorme, podia ser um búzio...
[...]