- [leitura concluída ontem]
RECORTE(s):
Será o próprio Micucci quem me dirá, em 1995, - [...] que a sua atenção foi atraída por uma anomalia, quase muda e invisível: uma bebé sentada numa manta, a palrar consigo mesma, no relvado junto à imponente entrada da Villa Borghese, quando se chega da Piazzale Flaminio. A menina está sozinha na manta, no meio da relva, logo depois dos propileus. Não chora, mas é contudo uma imagem estranha.[...]
O rapaz, surpreendido, sente um irreprimível desejo de ajudar. Olha em redor, não vê ninguém. Mas a bebé intercepta o seu olhar e estende os braços para ele. [...]
O «patético ser minúsculo que grita a plenos pulmões» (Paese Sera, 25 de junho, [...] , «vestido com uns trapos» (de novo o Paese Sera, a 30 de junho) ou até «escondido numa pilha de trapos» (Il Messaggero, 30 de junho) encontrado no jardim da Villa Borghese, é Maria Grazia Greco. Eu, Maria Grazia Calandrone, hei-de nascer mais tarde.
Maria Grazia Calandrone, Escrito com sangue na água - A minha mãe, um assunto dos jornais, [2022], 2026, pp. 173-174
[artigo-entrevista, no Público, em Julho]
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