quinta-feira, agosto 13, 2026

«do início do mundo» (Maria Grazia Calandrone)

- romance Biográfico (e Autob.º) centrado na Figura da Mãe OU de como a Ficção (transfigurando parcos documentos e, ou, testemunhos...) transforma a Ausência em Presença [e, como sempre, usando a Hipotipose*...]; alcançada a p. 164, de 275;

RECORTE(s):

     Leva mais de um mês até ela me ter de volta. Um mês que decorre, para Lucia e para mim, de um modo que decido não imaginar. Vimo-la* apenas a olhar pela janela no Viale Monza: inspirada por uma voz que vem do futuro - a minha -, o rosto apoiado nas mãos, a respiração irreprimível e em fúria imensa, um caleidoscópio de luz e carácter que a transforma. [...] 
    Num tão difícil contexto de ilegalidades e violências, não sei a que artes mágicas ou súplicas recorreu Lucia para me reconduzir a si, mas, a 1 de Dezembro, eu, minúscula, fui libertada e entregue à minha mãe, que «está temporariamente em Milão, na casa do seu tio, Giuseppe Di Pietro».

       Maria Grazia Calandrone, Escrito com sangue na água - A minha mãe, um assunto dos jornais, [2022], 2026, pp. 149-150

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