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domingo, julho 12, 2026

Passaporte, António

 - dossiê no «P2» do «Público», primeiro de oito episódios, sobre as Memórias escritas pelo único fotógrafo português que participou na Guerra Civil Espanhola; AQUI; Vídeo, AQUI; 

RECORTE(s):

[...] O novo regime proibiu de imediato o dinheiro republicano (desde finais de 1936 que os rebeldes emitiam moeda) e foi nessa altura que começaram as “dificuldades financeiras” da família. [...] “Tivemos que ir vendendo por preços ridículos [tudo] quanto possuíamos para podermos comprar o que fosse possível para a nossa modesta alimentação. Também tivemos de recorrer à venda de livros e de sandes na rua para ganhar algum dinheiro. A minha mulher fazia sandes com sardinhas de conserva que Rodolfo e Helena levavam num cesto para vender à saída da estação de Atocha, acompanhados do irmão António que se encarregava da venda de livros no mesmo local e de os proteger por ser mais velho.” Mas não foi suficiente. A repressão franquista punia também com a pobreza e a espoliação. E por isso recorreram aos refeitórios do Auxílio Social, fundado e gerido pela Falange. “Não era preciso pagar nada, nem ser filiado no partido falangista. [Os filhos] Apenas tinham de cantar o hino da Falange, ‘Cara al sol’, antes das refeições e depois de terminar.” [...]

- II episódio - «las portuguesas»

sábado, junho 28, 2025

«Trabalhos e paixões...» OU F. A. P. por M. A. V.

 - [neste muito quente 32.º Dia da 3.ª E. no Rugido, termina-se o livro de «Crónicas Memorialísticas» do Editor  - antes publ.as no «Expresso»...]

RECORTE(s)

[...] em 1993, o único romance de Fernando Assis Pacheco, Trabalhos e paixões de Benito Prada. A obra, que tem um dos arranques mais fortes da literatura portuguesa, entusiasmou-nos tanto, que eu logo prometi ao Fernando que, em Frankfurt, tentaria vender os direitos de tradução. Ele deu uma das suas habituais gargalhadas e respondeu-me: «Deixa-te disso. O único sítio onde eu quero ser traduzido é na Galiza...
[...] ele (Américo A. Areal) convenceu o editor Antón Mascato a traduzir a obra, prometendo-lhe que a imprimiria a um preço quase simbólico.
    O Fernando ficou radiante - e mais radiante ainda quando Mascato o convidou a passar uns tempos na Galiza para trabalhar com o tradutor. Instalou-os em Vilagarcia de Arousa, no Hotel Balneario de Paco Feixó, à época um dos mais famosos chefs galegos. [...]
    Quando a tradução foi publicada, em 1994, fizemos um périplo [...], para a promoção do livro. Mas à noite regressávamos sempre a Vilagarcia de Arousa. Aí, o poeta sentia-se em casa e permitia-se até, quando estava cansado da cozinha «moderna» de Paco Feixó, ir para a cozinha fazer ovos mexidos com chouriço. [...]

Manuel Alberto Valente, O outro lado dos livros - Memórias de um editor, 2025, pp. 36 - 37

domingo, janeiro 29, 2023

Hermógenes (o Caderno de Memórias de)

- no «P2» de hoje:

Recorte sobre o(s) Nome(s): ...] Fascina-a este incomum nome “Hermógenes”, que disse ter visto escrito pela primeira vez num papel no livro Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, por ser o nome do médico de Adriano. Tem pena que o sobrenome “Ovídio” não tenha origem no poeta romano, mas no facto de o avô ter nascido a 3 de Junho, dia de Santo Ovídio. [...]


Grupo no Forte da Graça, em Elvas. Hermógenes Ovídio,  [...] ao lado de outros oficiais implicados na revolução de 3 de Fevereiro de 1927

- a neta lamenta ter descoberto tarde o(s) «Caderno(s) de Memórias» do Avô, isto é, só após a , morte da mãe;     - em «paralelo» a difícil tarefa de quem tenha que «dar destino» ao que fica nas Casas de quem partiu:

[...] Foi preciso a sua mãe morrer, já com 80 anos e há mais de uma década, e lhe caber a ela “a tarefa terrível de esvaziar a casa dos pais”, recorda. “Fiquei sozinha num fim-de-semana a ver papéis, a pensar que ia deitar fora a maior parte deles, sem saber o que fazer à biblioteca do meu pai, que era gigante, e que acabei por entregar à Academia Militar. Foi uma tarefa muito difícil. Esvaziar a casa dos pais é retirar-lhe a alma, porque as paredes vazias já não têm história, são paredes sem memória. Foi nesse processo, quando abri o armário da minha mãe onde eu sabia que ela tinha as suas coisas pessoais, mais importantes, que descobri este documento do meu avô do movimento revolucionário e a fotografia com as assinaturas”, explica. [...]