domingo, julho 12, 2026

Passaporte, António

 - dossiê no «P2» do «Público» sobre as Memórias escritas pelo único fotógrafo português que participou na Guerra Civil Espanhola; AQUI; Vídeo, AQUI; 

RECORTE(s):

[...] O novo regime proibiu de imediato o dinheiro republicano (desde finais de 1936 que os rebeldes emitiam moeda) e foi nessa altura que começaram as “dificuldades financeiras” da família. [...] “Tivemos que ir vendendo por preços ridículos [tudo] quanto possuíamos para podermos comprar o que fosse possível para a nossa modesta alimentação. Também tivemos de recorrer à venda de livros e de sandes na rua para ganhar algum dinheiro. A minha mulher fazia sandes com sardinhas de conserva que Rodolfo e Helena levavam num cesto para vender à saída da estação de Atocha, acompanhados do irmão António que se encarregava da venda de livros no mesmo local e de os proteger por ser mais velho.” Mas não foi suficiente. A repressão franquista punia também com a pobreza e a espoliação. E por isso recorreram aos refeitórios do Auxílio Social, fundado e gerido pela Falange. “Não era preciso pagar nada, nem ser filiado no partido falangista. [Os filhos] Apenas tinham de cantar o hino da Falange, ‘Cara al sol’, antes das refeições e depois de terminar.” [...]