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quarta-feira, janeiro 25, 2023

L. G. e as Memórias dos Outros

 - bem insistiu L. G. com R., na parte final de 2122, mas... [...]; não se arrepende, D.; olhar para uma Câmara? falar para a Eternidade curta ou temporária? - «que pânico»; já R. B. - 42 anos de Percurso empenhado, muio empenhado - ficou bem, muito bem, mesmo...

domingo, fevereiro 14, 2021

«António, que pefez 12 anos a 13» OU «o eu, eu, eu» (Narciso, por M. E. C.)

Crónica - «A troca de atenções» - de hoje; continua na p. 7, «ao lado» do «Bartoon»;

RECORTE:
[...]  Infelizmente vivemos, desde os anos 60 até cá, num crescendo de narcisismo que todos os anos parece ter atingido o cúmulo mas consegue sempre ir mais além.
     O “eu, eu, eu” baseia-se na ideia que, se não formos nós a falarmos de nós próprios, a defender-nos e a promover-nos, ninguém o fará por nós.
      Parece-me que isso é mais uma desistência dos outros e da importância que têm na nossa vida do que uma fé em nós próprios.
    Se nada esperarmos dos outros, com que cara é que os outros podem querer saber de nós? [...]

domingo, julho 26, 2020

«Cara à Banda» (todos de), M.E.C.

- crónica de hoje - «A cara quiçá à banda» -, lida na ESP do Jardim da P. C.
 (ainda a pensar na CORR. de ontem à ZMAB, com J., «new chief»...)
RECORTE final:
[....] Para esta gente (isto é, nós) a máscara é apenas mais um adereço na longa e divertida caminhada para a extinção final.»

sábado, junho 22, 2019

«Pretérito imperfeito de cortesia», Djaimilia Pereira de Almeida

- lido na tarde de ontem, conforme PERI...
RECORTE:
    Este livro é escrito num pretérito imperfeito de cortesia. A cortesia é a virtude devida ao que não se pode dizer, como se apenas me restasse fazer cerimónia com o que e é familiar. Este é o fantasma formal que me persegue: o receio de que o melhor meio seja expor os meios. Como o espantalho da máscara de noventa e dois, expor os meios é uma forma de espantar  respostas. Então o que o espantalho afugenta é a realidade e as suas personagens, os recursos da biografia e a sua poética espinhosa. «Quem é a Mila?» «Eu mesma» não coincide bem comigo. O cabelo corta-se e renova-se prolongando a sucessão dos ciclos, mas tal não é senão uma via de extinção. Cada ciclo do cabelo é somente um ciclo do livro do cabelo. Serei eu («eu mesma?») que empresto à sua história importância, contando-a? Pergunto-me como escrever com distância se mexo na memória, mas a distância, apercebo-me então, é condição da memória, não uma moral. Todo o passado é um satélite conveniente.
[sublinhados acrescentados]
Djaimilia Pereira de Almeida, Esse cabelo, 2015, pp. 87, 88 (da 3.ª ed., de 2016)

segunda-feira, abril 02, 2018

«Amo-me tanto» - MEC

- paródia «actualizada» do N... a 30 de Março

RECORTE:
[...]     Mesmo a pessoa mais feia sucumbe à auto-sedução. O ser humano adapta-se a tudo. Repetidas exposições à mesma tromba ao longo dos anos levam primeiro à habituação e depois à admiração. Primeiro, deixamos de nos acharmos feios. Depois damos por nós a achar que não somos maus de todo. Passado pouco tempo já estamos in love com o nosso semblante. [...]

segunda-feira, agosto 22, 2016

Helen - a «Mulher-Açor»

[segunda, pelas 11 e 20...; ao balcão do F., da «histórica» Dona I...; Recorte que estava a ser lido, quando tocou o CEL, para a General Z, com a Dona M. D., de Évora, ...]

A minha visão turva-se. Transportamos as vidas que imaginamos tal como transportamos as vidas que temos e, por vezes, fazemos o cômputo de todas as vidas que perdemos. O almoço de verão recua. Não consigo recuperá-lo. Há nevoeiro que se infiltra, vindo do campo de râguebi que Prideaux percorria. Lufadas lentas e brancas. Há um silêncio na minha cabeça, mas vai-se tornando mais sonoro.  «Não sou uma espia», disse eu ao meu pai. «Sou historiadora.» Mas ao observar toda a gente à volta da mesa, os seus rostos fascinados com o meu açor, parece-me que já nem isso sou. Sou o Bobo, penso, entorpecida. Era uma investigadora, uma académica competente. Agora sou feita de retalhos. Já não sou a Helen. Sou a mulher-açor. A ave estraçalha a perna do coelho. Vespas descrevem círculos à volta dela, semelhantes a electrões. Pousam-lhe nos pés, no nariz, à procura dos restos de carne de coelho que vão levar para o seu ninho de papel em qualquer sótão de Cambridge das imediações. Mabel enxota-as com o bico e observa os seus abdómenes às listras amarelas e pretas a girarem no ar antes de se endireitarem e de voarem de novo direitas a ela. Este almoço de verão tem um ar profundamente irreal. Sombras de damasco e prata, uma fotogravura num álbum, qualquer coisa de Agatha Christie, de Evelyn Waugh, vinda de outra época. Mas as vespas são reais. Elas estão aqui, pertencem ao presente. O mesmo se pode dizer do açor e do sol no centro deles. E eu? Não sei. Sinto-me oca e desprotegida, um ninho de vespas etéreo, vazio, uma coisa feita de papel machê depois de a a geada ter acabado com toda a vida no seu interior.
[itálico no texto; negrito acrescentado]


Helen Macdonald, A de Açor, 2015, «Lua de Papel», pp. 152-153

segunda-feira, agosto 15, 2016

A (Insustentável) Leveza das Pedras - Lobo Antunes

No tempo Grande do Rugido, há Tempo para ler a Visão:

O meu trabalho é escrever até que as pedras se tornem mais leves que a água. Não são romances o que faço, não conto histórias, não pretendo entreter, nem ser divertido, nem ser interessante,  só quero que as pedras se tornem mais leves do que a água. Em pequeno, à noite, no verão, de luz apagada, ouvia o mar na cama,  a mesma onda sempre, ainda hoje a mesma onda a trazer a praia e a levar a praia, e, ao levar a praia, eu suspenso do nada sem tocar nos lençóis. (...)
(...) Senti-me feliz na Transilvânia, nas montanhas. As pedras tinham menos peso já, por essa altura, mas ainda necessitava de muito tempo porque as palavras demoram a impregnar as coisas, entram devagarinho, a ideia da minha morte começa a parecer-se com a minha morte. Às vezes o meu corpo gela, às vezes uma pedra levanta-se. Faltam muitas ainda. Quando todas forem mais leves do que a água então sim, podem ler-me, escrevi o que era preciso escrever(...)

António Lobo Antunes, «Até que as pedras se tornem mais leves que a água»,  Visão, n.º 1223, 11-08-2016, pp. 6-7

domingo, maio 15, 2016

«Je est un autre» - Saramago

[18 e... - ao lado «ululam» as Massas do FUTE...; releituras para a última série de Envelopes de 1516...; está quase...]

Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011
Montaigne, Pessoa e Kafka
      Os escritores a que estou sempre a voltar são Montaigne, Pessoa e Kafka. O primeiro porque somos a matéria do que escrevemos, o segundo porque somos muitos e não um, o terceiro porque esse um que não somos é um coleóptero.

“Soy un relativista”, Vistazo, Guayaquil, 19 de Fevereiro de 2004 [sublinhados acrescentados]

In José Saramago nas Suas Palavras                  [da Fundação]