sexta-feira, junho 26, 2020

Retrato (leitura de)


Ilustração de Susa Monteiro
Recorte inicial da narrativa de Dulce Maria Cardoso, da «Visão», de 26-06

Posam com a rigidez das fotografias de estúdio, mas estão na rua. Atrás deles, há uma tosca paliçada horizontal onde despontam ervas entre as canas. Não é um casal amoroso com a sua filha bebé. É outra coisa. O meu avô, além da compleição física atlética, tem feições bonitas de ator de cinema. Lembra o Charlton Heston. De fato escuro, o seu braço direito dobra-se em ângulo reto, tornando-se numa cadeira-trono para a minha mãe. É o único do trio que não se apresenta hesitante, o único a quem nem o sol nem o futuro apequenam o olhar. A mãozinha da minha mãe agarra timidamente a da minha avó que, ao lado do marido e num plano que parece mais recuado, apresenta-se vestida de camponesa, a camisa aos quadrados e a saia preta a contrastarem com os sapatos de fivela. Os seus pés não estariam habituados a tal finura e talvez seja essa a explicação para os ter em V, à Charlot. É uma mulher feia, com monocelha e nariz adunco. Incrivelmente pequena. Tem a mão esquerda pousada sobre a barriga, estaria grávida do meu tio Manelinho, que viria a morrer aos oito meses de idade, depois de ter vomitado um líquido verde. A minha mãe nunca se refere à morte do irmão sem falar do tal líquido verde. Na fotografia, as cabeças dos três alinham-se numa reta inclinada. A segunda guerra mundial vai a meio. [...]

Dulce Maria Cardoso, «Foto #1: Para além daqui, só palavras me contam»


quarta-feira, junho 17, 2020

Primeiras Letras

[uma das últimas propostas de 1920, para quem já domina «todas as Letras»...]

«[...] (d) aquela escolinha particular, num quarto ou quinto andar da Rua Morais Soares, onde, antes de termos ido viver para a Rua dos Cavaleiros, eu comecei a aprender as primeiras letras. Sentado numa cadeirinha baixa, desenhava-as lenta e aplicadamente na pedra, que era o nome que então se dava à ardósia, palavra demasiado pretensiosa para sair com naturalidade da boca de uma criança e que talvez nem sequer conhecesse ainda. É uma recordação própria, pessoal, nítida como um quadro, a que não falta a sacola em que acomodava as minhas coisas, de serapilheira castanha, com um barbante para levar a tiracolo. Escrevia-se na ardósia com um lápis de lousa que se vendia em duas qualidades nas papelarias, uma, a mais barata, dura como a pedra em que se escrevia, ao passo que a outra, mais cara, era branda, macia, e chamávamos-lhe «de leite» por causa da sua cor, um cinzento-claro tirando a leitoso, precisamente. Só depois de ter entrado no ensino oficial, e não foi nos primeiros meses, é que os meus dedos puderam, finalmente, tocar essa pequena maravilha das técnicas de escrita mais actualizadas. [...]

José Saramago, As pequenas memórias, 1.ª ed., Lisboa Caminho, 2006, pp.  63-64
[«remeteu-o» para excerto «análogo» - DAQUI]

quarta-feira, maio 27, 2020

«ensinar a Missa ao Padre»

- 6 e 50: desligar da Máq. APN
- no exterior, a cinco, seis semanas do Fecho, Risol. - (aposent.a há cerca de 5 anos..) - entregou um telemóvel a F. e «zarpou»...;
- já lhe falara deste pai, brasileiro, que colocara o filho no Paraíso...; mas não estava formalizada a «intrusão» e o senhor, do «lado de lá», não entendia as informações que F. lhe prestava - (a quem se dirigir, como fazer...); com a conversa «descambada», antes de desligar - e de acordar - proferiu: 
«não quer que lhe vá ensinar a Missa ao Padre!»

terça-feira, maio 26, 2020

«à minha procura» («O mundo...) - Ruben A.

- nos anos em que o Género fez  parte do I Bloco, propunha aquele «ARRANQUE»...

RECORTES:
(…) Não sabia o que ia ver. Um cargueiro afundava-se e quarenta homens encomendavam a alma aos deuses revoltos do mar. Metemo-nos a caminho, daí a instantes acompanhávamos o rancho de mulheres da fábrica dos Marinhos, que, em grupo de quinze ou vinte, pareciam abutres à espera do boiar dos corpos. Frente à igreja do Lordelo a desgraça saía mais violenta dos sinos, ecoando ao vento, atirando badaladas num rebate onde as preces se tornavam impotentes. Sezé caminhava de chancas bem fincadas, eu sentia ali um tronco de carvalho do norte a que me podia agarrar se o naufrágio subisse palas margens acima, sentia que aquele homem, feito de uma só peça, estava a viver a tragédia. Era uma espécie de coro interior que o resolvera à caminhada. Primeiro assistira ao contar do espectáculo, agora queria participar dele, até nisso o carpinteiro se mostrava minhoto dos quatro costados. […] Ninguém se havia de salvar. Sezé, uma vez satisfeito da resolução, queria chegar a tempo, arrastava-me como quem puxa bácoro que vai à feira, dava a mão para me atrelar. […] «Vamos embora» ─ e eu saltava de poça em poça, metendo pé em água, molhando meia, e indo para o espectáculo daquele fim do mundo, que raro me amedrontava pela simples razão de nunca o ter visto.

  Pouco depois desembocámos no Ouro. Aí, junto ao rio, nem vivalma. O temporal expulsara as pessoas, e os barcos arrimados na margem pareciam os queixais tirados da boca do deus Neptuno. Estavam petrificados, a monte, e em dias de sol, durante a forte invernia, ainda serviam às crianças para  esconderijo  e aos velhos lobos-do-mar como abrigo para remendar as redes. O Douro não poupava as margens, subia, trazia manancial da Régua, das terras altas, uma barrela de água que do lado de lá parecia dar à Afurada um ar de esconderijo de pescadores lacustres. O céu fúnebre, de cinzentos a quererem luto pesado ─ o barro podre e turvo da cheia, o verde-escuro das árvores de folha perene, o som guinchado de carros eléctricos arrastando carreiros de água no seu vagar de precaução, e a ânsia de chegar para ver os que ainda lá estavam ─ , aumentava a passada de Sezé. Ele não falava, pensava com os mortos. Seria possível que não houvesse salvação? Estariam eles mesmo a morrer à flor dos olhos? [...]



Ruben A. O mundo à minha procura I – Autobiografia, pp. 22,23

quarta-feira, abril 29, 2020

«Rosas de Ermera» (a família Afonso dos Santos: João, José e Maria)

- «planando» hoje pela (pouca) informação disponível sobre «Cerromaior», de Luís Filipe Rocha, F. receou que este «DOC. BIOG.», de 2016, na VOZ da Mana, já não estivesse na «RTP PLay» - está, sim, para REVER

terça-feira, abril 28, 2020

domingo, abril 26, 2020

«O Jornal»

- na SMT, desde Fevereiro de 75, na R. S., onde estava então a RED., D. diariamente atendia os jornal.as de «O Jornal», desde a paciente Veterana, Edite Soeiro, ao ««regressado» Letria (por vezes com a «famosa»  camisa às riscas azuis vestida na noite anterior, na TV..., aos então jovens [...]; 
- por isso, a Crónica de Hoje de M. E. C., então com 19 (também D. celebrou 20 no final de 75...), o «remeteu» para esses Tempos...; no final, refere que:
«É um livro que hei-de escrever».
Oxalá.

quarta-feira, abril 22, 2020

Eugénio de Andrade, evocado por Pacheco Pereira

- na linha da sua recusa em escrever «sobre a Pandemia», P. Pereira, nesta narrativa, evoca aspectos (auto)biográficos de Eugénio, de si e de outros, entre as décadas de 60 e 70... OU como a poesia de Eugénio, analogamente à de Quasimodo (Salvatore), «foi salva» pela Música [...]

RECORTES:
[...]Entre o Ostinato Rigore publicado em 1964 e o Obscuro Domínio de 1971, Eugénio de Andrade escreveu muito pouca poesia. [...]
[...] O Eugénio estava com aquilo que hoje se chama writer’s block, uma sinistra expressão para um poeta, ou seja, estava com uma crise de escrita.[...]
[...] Eugénio dizia que já não conseguia escrever poesia, as suas palavras nos poemas tinham atingido um estado de depuração e contenção, que não conseguia ultrapassar essa forma exígua e contida. Dava o exemplo de Salvatore Quasimodo e dos seus poemas como também tendo chegado a uma forma tão condensada de escrita, “como uma pedra”. Não se podia passar dali. [...]

quinta-feira, abril 09, 2020

«Ah, Fadista!», o pai Pantomineiro e «o atraso dos Dicionários»

- a referência inicial da Crónica de M. do R. P. era a da noite do terramoto, de Fev. de 69, mas rapidamente passou ao Amor pelo Fado, a histórias de um«Pai pantomineiro» e terminou com um alerta para o atraso dos DIC.os [...]
RECORTE:
[...] Foi do meu pai que herdei a paixão pelo fado, que ouvi ao vivo logo em criança, porque os psicólogos nesse tempo não davam palpites, a minha mãe pelava-se por uma noitada e o meu pai era, além de boémio, vagamente doido. Porém, ao contrário de mim, ele estendia o seu amor ao fado às respectivas intérpretes; e, já eu era adulta, contou-me que chegara a ter uma amante fadista a meias com um marquês, que era quem pagava a renda de um andar na Almirante Reis que ambos frequentavam, embora, claro, em horários distintos. [...]

terça-feira, março 24, 2020

Rapaz ou Menino?

- [«Vai para o teu Canto de Leitura, Rapaz»]

- «O meu Menino, não, o meu Rapaz!» - terá sido a Resposta repetida da Mana A., em «idade indefinida» (mais 15 Meses do que D....) às Vizinhas que a «provocavam», de quintal para quintal, na «Casa da Calçada» (de onde a FAM. saiu pelo 9 anos de D....)
- em «fases» anteriores, terá tentado matá-lo... (outras Histórias...)

sexta-feira, março 06, 2020

Rodrigues Sampaio, 52 + «de pequenina...»

- sempre fechado na «cave do quinto», D. só hoje viu a SMT.[...]; inquiridas, as Func.as da CLIN. onde a General fazia as RAD.as, referiram «mais de  3 anos»... [terá que ser menos...]; houve rápida referência a 75-78, a Natália Correia...; rápida, pois a «interlocutora» nasceu por aí...
- antes, ao lado, duas meninas, de 6 e 10...; a primeira, na 1.ª, de «quadro de honra», mostrava à avó os «post-it» em que anotava os «mal comportados», e a «função» que a Mestra lhe atribuía (tal como noutros Tempos...); 
- «risota pegada», pois só havia Meninos nas Listas...; 
- «não largues o Q.º de H., miúda!», aconselhou F., à despedida...

- R. S., 52: revisitada em Maio de 24, após ida à SGF, e «sobrevoada» uma AVEN «transformada»; aí funciona, pelo menos há mais de 1 ano, segundo FUNC., um Estaminné «Honest Greens»... ; «Well»

terça-feira, março 03, 2020

O'Neill (Alexandre)





- com dois Qd.os por autor, (re) lê-se o que se pode...

- reproduzida da página 11 da Revista «Relâmpago», n.º 13, de 10/2003



- a semana e meia do Fecho, por «Covid 19»...

terça-feira, fevereiro 25, 2020

assinar a pele


- registo histórico - primeiro «desenho-escrita» do Nome; 

- Princ. informou que o fez «de memória e sem ajuda»...

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Retrato raro de Pessoa...

Fotografado da página 16
do «P2», de 23 de Fevereiro

... em criança, na coleção de...

RECORTE do «P2», de ontem:


.... Pedro Corrêa do Lago [...] É detentor de duas colecções de manuscritos e autógrafos, uma internacional e uma luso-brasileira, com cerca de 110 mil peças datadas de 1140 até 2017. “[...] na sala da sua casa em São Paulo, mostra uma fotografia de Pessoa, em criança, cujo verso tem uma assinatura que “deve ser uma das primeiras” do escritor português. [...]

domingo, fevereiro 16, 2020

Egypton OU «a incerteza é mais bela que a certeza»

Assim começa a Crónica de hoje de Maria João Lopes,  no «P2»:

      O meu avô chamava-se Egypton e eu nunca conheci outro avô com um nome igual. Nem avô, nem ninguém. Chamava-se Egypton e até hoje [...] ninguém na minha família sabe bem porquê. É um nome cheio de segredos, os anos foram passando e as perguntas foram ficando por fazer. Ou foram feitas, mas tiveram meias respostas. [...]

sábado, fevereiro 15, 2020

A Infância, o tio, a Contabilidade (Regina Pessoa)

- lida de manhã, em papel; completada à tarde, com Entrevista
Recortes:
[R. P..] Descreve Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias como o seu filme “mais autobiográfico de sempre”. Foi também, explica ao PÚBLICO, o que mais desafios lhe colocou ao nível técnico, por não querer abdicar da sua identidade estética mas desejar ao mesmo tempo incorporar todos os materiais e objectos que guardou do tio.
E há de tudo: navalhas, óculos, réguas, lanternas, e claro, as páginas com a infindável contabilidade, o enigma que foi sempre um fascínio para a sobrinha.[...]

sábado, fevereiro 08, 2020

«Hinata», aliás, CAR. (em Capítulos...)

- Qd.a de CORR., F. já não se lembra de quem começou a CONV...; não diz  o Nome Civil; diz que «H. é um Mito... e que significa Lua»
- visto que o «Bloco fazia panelinha», inquiriu-o junto de Mestre J. Leb.: CAR.a...; «batota, batota, acabou a Brincadeira», reclamou a Outra...; vamos a ver o que se segue...
- nevoenta manhã de 14 (dia da «Dor de C.»); no Átrio, só D. falou - no caso, da Verdadeira Sobrinha, pois H. dá os «sinais do costume», em Deriva ou Equivocada, à procura do que não existe na «E. do Paraíso»...

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

A Fonte

- 6 horas; desligar da «máq. APN»
- mais jovens, D. e a General vão visitar a Mana C.; D. voltou atrás, para ir buscar o Álbum que a Mana emprestou em Julho (pelas 70 PRIMAV....); à saída, uma Qd.a pediu-lhe água; desafiou-a a correr ao seu lado, pela ladeira, até uma fonte onde, após se «refrescarem», D. contou vários EPIS.os às VELHAS senhoras que lá estavam...

quarta-feira, janeiro 22, 2020

segunda-feira, dezembro 30, 2019

M. (primeiro AR)


- é o primeiro Auto-retrato de M., 
«passado» a Puzzle pelo COL., 
fotografado de sobre a toalha vermelha 
do almoço NAT.,
em Santo António da CAP.

sexta-feira, novembro 29, 2019

Gin Tónico

- 5 e 15, 1.º desligar da Máq. APN;
- reaberta a Baiúca do Pai Velho, sem legalização, ainda; D. falava para o Antonino, combinando os papelinhos que dariam a quem pedisse factura, para posterior regularização...
- para servir dois «Gin Tónico», só havia um Copo adequado, mas muito sujo; lavado este e adaptado outro, preenchidos com o Espírito e o gelo, sobrava pouco espaço para a Tónica...
- apercebendo-se do péssimo serviço, um dos Clientes comentou: «esse Gin já deve estar Velho!»; ao que D. respondeu [...]

[ecos do DOC. em que F. Tordo refere os Gin Tónicos que Ary dos Santos ....??]

terça-feira, novembro 12, 2019

General Z, 68 + «Ladrão de Tempo» + o regresso de T.

[TErça, «Dia Livre» em 1920...]
- veio J., «o Menino da Sua Mãe», ontem,  e foi o primeiro jantar no novo Templo do GALH. - «Bacalhau à Brás» feito pela Comadre A. - discutiu-se a primeira proposta séria para a Alm. Reis (de que depende, de algum modo, o Tipo de Futuro...)
- ai, o Tempo que F. «rouba ao Patrão» nos Qd.s - «com a cumplicidade consciente ou não dos Qd.s»... - disse-lhes isso ontem e, ou percebem (ainda) pouco da Vida ou a «Indiferença é quem mais ordena»...
Well
- pelas 10 e 10, no Elevador da Cuf: reencontro com T. só deu para esta anunciar o regresso de Inglaterra (ao fim de bastantes anos...)

domingo, outubro 06, 2019

«Geração (à) Rasca»

- [quanto à Geração, já muito «gerou»: filhos, cargos...]

- a famosa expressão de Vicente Jorge Silva, de novo interpretada pelo próprio, aos 73 anos, sempre acutilante («a nossa saúde mental depende...») 
em Entrevista ao «Expresso» - AQUI

sábado, outubro 05, 2019

«Quem me roubou o Sumo?» + «ISPA», 7475

«Quem me roubou o (MEU) sumo?»
- proclamação, com ar sério ou indignado e argumentação adequada,   de M., ontem, à mesa, pelas 20 e 45, em Santo António da C....
- (são uns Malandros, estes Adultos que AINDA brincam, em vez de lhes «enfiarem» TLM.s nas Unhas...; a expressão do avô Jaime Rato - um grande Brincalhão - era «judiarias»...)

- hoje, antes, na «Docel», D. atreveu-se, finalmente, após anos e anos a «observá-lo», de Longe...: 
«Em 7475, no ISPA, era um Jovem...»
«É Verdade» 
(«toma lá, D.» - e virou costas e lá foi, com o neto, «pré-ADOL»...; parece não ter mudado...)

quinta-feira, agosto 22, 2019

Lagos

- ontem, no final da Visita a Lagos (onde há Carrossel e «n+1» Bichos Mecânicos, a 1 euro...), quando se lhe perguntou se queria regressar à Zmab., M. respondeu prontamente:
«Não posso. Preciso de ficar aqui»
- [hoje, evoca-se, rindo, o anterior «despacho»...]

domingo, julho 28, 2019

Terrugem

- com o 70.o AN. a coincidir com domingo, a mana C. esteve  contente, ao reunir os «mais próximos», num local populoso (ui, o imenso barulho ambiente, e as Visões de pratos a «transbordar»...)
- do lado de P. (45, a 31...), três HERd.s: M., 15-16; V., 12; I., 7 (está «bem convidado», como se costuma dizer...)
- D. conseguiu finalmente o empréstimo do velho Álb. de Fotos da [...]

quarta-feira, junho 26, 2019

Imperscrutável

- totalm. «prisioneiro» da Cave do 5.º, pela 1.ª vez, no 10.º dia «PÓS-OP.», W. anseia pelo 1.º passeio no EXT...; mas está contente, só,  com os Outros (e com a «cansadita» General...): não falta o que LER e  Junho vai «fresco»...; se a Europa «não levar a Sério a Canícula», vai ser lindo...; a Europa, o Mundo, [... ]

- Eli, livre de falsos Palácios do Paraíso, lá de perto da Serra, estrelada, manda fotos das suas JOVENS produções frutíferas...; a esta(s) Casa(s), chama-lhe(s): Imperscrutável. Grande Palavra, ÁSperos sons...
(antes isso que a usada pela SOB.,S. R.: ESQIZ....)

domingo, junho 23, 2019

«Escrever é...; M. E. C.

- ...CORTAR, sempre, sempre»
- lida à General, entre as 12 e 20 e as 13; 
- Entrevista + «Poética (da Escrita) (e) da Crónica» e da «Busca da Voz»... + ABG + «Carta a Jovem Escritor» +  Retrato(s) + «Inventário de mentalidades» + [...]
- sendo tão difícil escolher Recorte(s), não se coloca Recorte(s) [...]
- quanto à crónica do «dia seguinte» (24), decorrerá do anterior....

sábado, junho 22, 2019

«Pretérito imperfeito de cortesia», Djaimilia Pereira de Almeida

- lido na tarde de ontem, conforme PERI...
RECORTE:
    Este livro é escrito num pretérito imperfeito de cortesia. A cortesia é a virtude devida ao que não se pode dizer, como se apenas me restasse fazer cerimónia com o que e é familiar. Este é o fantasma formal que me persegue: o receio de que o melhor meio seja expor os meios. Como o espantalho da máscara de noventa e dois, expor os meios é uma forma de espantar  respostas. Então o que o espantalho afugenta é a realidade e as suas personagens, os recursos da biografia e a sua poética espinhosa. «Quem é a Mila?» «Eu mesma» não coincide bem comigo. O cabelo corta-se e renova-se prolongando a sucessão dos ciclos, mas tal não é senão uma via de extinção. Cada ciclo do cabelo é somente um ciclo do livro do cabelo. Serei eu («eu mesma?») que empresto à sua história importância, contando-a? Pergunto-me como escrever com distância se mexo na memória, mas a distância, apercebo-me então, é condição da memória, não uma moral. Todo o passado é um satélite conveniente.
[sublinhados acrescentados]
Djaimilia Pereira de Almeida, Esse cabelo, 2015, pp. 87, 88 (da 3.ª ed., de 2016)

quarta-feira, junho 19, 2019

«Lemos, 93 anos, surrealista, até hoje»

«A Mão e a Faca»
( a mão é a de O'Neill, cf. minuto
20... do DOC ao lado)

-Entrevista,audio,ao Expresso («Pal.a de autor, n.º 25») a propósito de Exposição na Cordoaria e do lançamento do livro «PH. Fernando Lemos».

- «Artista, graças à Poliomielite»

- «Como, não é RETRATO» - DOC., de Jorge Silva Melo (2008 + 2017), na RTP Play   (repetido a 9 de Maio de 2018...; ora recolocado...)

domingo, junho 16, 2019

Western Stars

- cedo deu a Volta ao Bairro; não sabe como será o andamento nos próximos dias, pois amanhã é o Dia... (de atenuar «defeito» do «Irmão Corpo», V. F....); 
- é dia de (ouvir) Western Stars...; qualquer comparação com o Castigo de 1718 desencadeia [...«e o resto não se diz...»]

quarta-feira, junho 12, 2019

Aquecer o Almoço...

- 6 e 15; desligar da Máq. APN...
- num Qd.o inicial de 2.ª Estação; Bloco que havia «correspondido» surge com mais uns quantos...;W. interroga-os, um a um, sem obter palavra...; o último baixa-se e murmura, de olhar enviesado: «É por eu ter um ar MARADO?»...;
- saem todos, repentinamente, e a sala fica vazia, de mobiliário, até...; tempo depois, regressam alguns: «Fomos aquecer o almoço* de Francês» (???)
- W., furioso: «E nem uma palavra ao Mestre? Está para aqui algum [...] (impropérios omitidos)
(* pedido realmente frequente em 1819....)

quarta-feira, junho 05, 2019

Jaime (Rocha)

- Excerto da entrevista no «Poema ensina a cair», de hoje

Quando é que surgiu o Jaime?

O Jaime surgiu já no primeiro livro, porque o nome ao contrário não me dizia nada. E então fui recuperar o Rocha que é o nome da minha mãe, que ela perdeu quando se casou. O Rocha era uma homenagem a ela e uma homenagem ao meu lado de pé descalço, que é dos pescadores, a linha dos pescadores - a minha mãe era filha de pescadores, o meu pai filho de pequenos comerciantes. E faltava-me um nome que se juntasse ao Rocha, e não funcionava bem Rui Rocha, era muito "rrrr". E um dia lembrei-me... Já tinha conhecido a Hélia (Correia) e não conheci o pai dela - morreu quando ela tinha 14 anos e nós conhecemo-nos com 20 anos de idade, na faculdade -, e ela falava muito do pai, que era operário correeiro em Mafra, e chamava-se Jaime, Jaime Correia. E eu quando ia a Mafra ela era a filha do mestre Jaime. Mestre Jaime, mestre Jaime, sempre ouvi falar do Jaime Correia, grande figura de esquerda, da ditadura. E um belo dia, ia editar um livro, e perguntei à Hélia o que é que ela achava, se podia juntar o nome de Jaime ao Rocha. E ela achou muito bem. (risos)

quarta-feira, maio 29, 2019

Miguel Ângelo e o professsor de H. C. A.

- 10 para as 5 - desligar da Máq. «APN»
- W., como estudante de 12.º; mudara de área e assiste a uma aula de H. C. A.; sentado ao fundo, encostado à parede de Qd.o lotado, «chalaceia» com o da esquerda que, entre outras coisas lhe conta «que conhece o Mestre, que mora em Telheiras, e que lhe roubou todos os apontamentos»...; 
este, sentado, debita Matéria sobre Miguel Ângelo, que ninguém ouve, tal o número de «bitaites» cruzados...; a dado momento, levanta-se e, quando se aproxima, W. vê um jovem, louro, indiferente, por Classe, àquele «maralhal»...

sábado, maio 04, 2019

Faxismo nunca mais OU «onde estavas no 25?» . (Dulce M. Cardoso)

Recortes da Narrativa ABG de Dulce Maria Cardoso, da «Visão», de 25 de Abril:
[...] 
Mudáramos há menos de um ano, eu saltava à corda perto da igreja que se ia construindo com as contribuições dos fiéis, quando a Editinha magricelas apareceu afogueada com a notícia, Houve uma revolução na metrópole. Nem eu nem os meus amigos nos distraímos da brincadeira, a capital do Império era, para nós, tão irreal quanto o céu que, mesmo baixo de nuvens escuras, continuava lá longe. [...] Dali a menos de três meses, eu faria dez anos. Nesse meu aniversário, enchi-me de alegria infantil com os dois dígitos que desenhariam a minha idade para o resto da vida. [...] No dia em que a revolução fez um ano, corriam já, há muito, boatos de que os comunistas da metrópole queriam deixar os colonos morrer às mãos dos soldados independentistas, não interessava se homens, mulheres ou crianças, eram todos fascistas, colonialistas e imperialistas, ia haver maca da grossa. O martelar de caixotes tornou-se ensurdecedor, [...]      Quando fiz onze anos já não tinha casa nem infância. [...]

Ainda éramos retornados quando a revolução celebrou o seu décimo segundo aniversário. Eu era das poucas moradoras do desalentado Lote 11 que continuavam os estudos. Teria, nas palavras dos meus pais, uma enxada para a vida. Nesse ano, o 25 de Abril calhou num dia quente, Cascais encheu-se de veraneantes e eu passei a tarde encostada ao muro da praia dos Pescadores, a fingir que estudava as maçadoras lições de Direito. [...]   Dali a dois anos, os meus pais conseguiram mudar-se, por fim, do J. Pimenta, mas eu era já adulta. [...] e pouco depois vim para Lisboa. Por essa altura, alguém escreveu em letras enormes, no prédio que ainda hoje continua a desdentar o primeiro quarteirão da Avenida da República, junto ao Saldanha, 25 de abril sempre, faxismo nunca mais. [...]

                                                    
                        Crónica publicada na VISÃO n.º 1364 de 25 de abril

segunda-feira, abril 15, 2019

«Um nome» - J. L. Barreto Guimarães


Um nome

O nome que tu transportas é o nome
onde és tudo. O nome: és
tu que o és. Em teu nome
tu és tu. É
um nome que te leva com
o seu número de letras a
certa altura maior do que um simples
nome em ti. Significa mais
significa: justiça
(dignifica-se a si mesmo) um tal nome
significa-te. Porque esse teu curto nome foi
um nome que cresceu
para continuares a ser nele
para seguir sendo
o teu.

João Luís Barreto Guimarães, O tempo avança por sílabas, Quetzal, 2019, p. 66 (de Luz última, 2006)


sexta-feira, abril 05, 2019

Ananás e Bolacha

- foi ontem à tarde; a dado momento, M. pediu «para ir para baixo»; «meio ensonado», D. foi observando pelo Canto...;
- colocou o Capacete...;
- deu duas ou três voltas, no Veículo, sempre falando tão baixo, que parecia Zumbir... [...]
- despejou uma caixa com peças recortadas..;
- deu muitas punhadas num dos  «Equipamentos» que «dá música»...
- veio colocar uma folha aberta sobre D., à laia de Bab., e depois «obrigou-o» a «comer» bolacha e ananás (em plástico), várias vezes...; 
- D. teve que a levar para cima...
[Vida de Abelhinha]