sábado, dezembro 04, 2021

o amor à HIstória

 - pelas 13, reencontro com o VIZ. (do GALH.) que persiste em ser Mestre de HIST.; «profissionalizado» há muito, com 36 e Calvo, disse «estar este ano em Alcântara, no Dona Amélia, «só» com 8 Blocos e com esperanças de, daqui a um ano, entrar, finalmente, na Carreira» [...];

- quando é que ISTO «inverte»? 

quarta-feira, dezembro 01, 2021

«ADN» («uma questão de») + Saramago: «... arranjar forças .. no dedo grande do pé»

- pais, mães, filhos, filhas, netos, netas, irmãos, irmãs... em cada programa, «um PAR» - são muitos em arquivo, R. só deu pelo programa da TSF agora, no dedicado aos «Gémeos J. + J.»... [na foto, copiada da «página» da TSF]  [entrevistas conduzidas por Teresa Dias Mendes]



 "então vais ter de arranjar forças, nem que seja no dedo grande do pé" - foi a conhecida frase de Saramago para a filha Violante, presa, na época do «PREC», em Caxias, após ter recusado pagar a Caução [...]; no programa «respectivo»

sábado, novembro 27, 2021

1967 (as cheias de)

 - em finais de Novembro de 1967, D. acabara de completar 12 anos; lembra-se «razoavelmente» das cheias e das «movimentações estudantis», ora documentadas na «plataforma   «110 anos,110objectos, «O Solidariedade Estudantil»,  do Técnico 


sexta-feira, novembro 26, 2021

Frida: «voltar às pinturas, deixar o melodrama»

 - nova edição da «Taschen» sobre Frida: dossiê do «Ípsilon», com entrevista a historiador de Arte**, e autor da mesma, ilustrada com vários dos AR.s de Frida e fotografias


Diego Rivera observa Frida Kahlo a pintar Auto-Retrato (na fronteira entre o México e os EUA) no Detroit Institute of Arts, 1932, fotografada por W. J. Stettler  [Spencer Throckmorton]

Recorte «titular»:  O novo catálogo raisonné da editora alemã Taschen sobre a artista mexicana é uma obra monumental. Não só por causa do seu formato XXL, mas porque se propõe resgatar a obra da pintora mais famosa do mundo de todo o marketing que a tem ofuscado. É preciso voltar a olhar para as 151 pinturas que Frida Kahlo produziu e pôr o melodrama em segundo plano, diz o historiador de arte mexicano Luis-Martín Lozano**.

segunda-feira, novembro 22, 2021

«Ah, o prazer de ir à estante»... E «acumular, para quê»? Quanto ao «desacumular»....

 - ah, o prazer de ir à Estante e, «extraída» a Lombada, relembrar «o Quando, e o Como»... e o «Porquê» da Entrada do «Maleável Objecto» [...]

- em movimento ou direcção oposta, o «acumular»-, [caso Extremo AQUI] -  para quê? - para essa questão, permanente em D., foi este «(RE)direccionado» pela Crónica de M. E. C., «O fio condutor» - particularmente «Lúcida» - RECORTE da mesma:

[...] Olha-se para a biblioteca e, por muito interessantes que sejam este e aquele livro individualmente, é a reunião daqueles livros todos, díspares e desligados, que é mais interessante ainda: porque só pode ter sido feita por aquela pessoa.
E eis que vem o pensamento triste, mais triste por ser verdadeiro: tudo aquilo deixa de fazer sentido, como colecção única de coisas que só uma alma humana pode juntar, quando desaparece a pessoa a que pertencia.
Nenhuma das alegrias posteriores a quantidade de pessoas para quem cada livro ou coisa se torna depois um novo amor, uma viagem a começar como se fosse do princípio pode compensar a tristeza dessa segunda morte. [...] 

- [final de Outubro de 23] Quanto ao «desacumular»...., após cerca de um ano a «apagar» «toneladas» de materiais - sobretudo os da FAC e os dos 30 e «picos» anos de Qd.os... - a maioria vertidos sobre a «sôfrega» Mesa das Trocas da E. do Paraíso - num destes dias, R, referiu a alguém que fora «um processo sem dó nem piedade»; acrescentou que, «do que vai lendo, só fica com uma pequena parte» [tb. a »BiblioPenha» beneficia...] e que «tentará não deixar o que o(s), as, herdeiro(as) deitarão  fora , provavelmente» [...]

Well...

terça-feira, novembro 16, 2021

A. C. R.: «diz que quer ser Mestre»

 - cerca das 13 e 45;

- estava à porta da sala de D.os de T.a, com Mestre H. C., cujo 1.º ano foi «Contentorial», 0910 [...]

- por trás da Máscara, uma Barba, um sorriso que parecia «não duvidar de que iria ser reconhecido à 1.ª»; não (o) foi,...; só com alguma dificuldade, e ao longo do resto da tarde, foram surgindo «imagens» desse então «complicado» (no mínimo...) Qd.o de 1.º Bloco em 0910 (com D. em «D.d. T.») e de CER, no 1.º da Nova E. do P.;

 - agora, diz que está a começar como Mestre; «quem se atreveria» a colocar tal hipótese então, agora?

quinta-feira, novembro 04, 2021

T. A.

 - ontem, M. N., entre patamares da Escada do fundo, deu a notícia a D: «a opção de parar com os tratamentos»; «o desejo de que só fosse comunicado a alguns [...]»;

- hoje, D. aproximou-se de L. M., que lhe confirmou «que fazia hoje um mês»; lhe falou da «zanga com a E. do Paraíso»...; que «a acompanhara nos derradeiros três meses ...»; e D. , «abalado», viu uma PSI «abalada»...

- «e o resto não se diz»

- nos dias seguintes, troca de «E-M.s» com F. M. permitiu aceder a mais ref. sobre a Fotografia e a Poesia que T. A. «deixou»...

domingo, outubro 24, 2021

O teste

 - 6 horas; (2.º) desligar da «APN» - o 1.º fora às 2...;

Sala de aula, em teste; D. começa a ler o Enunciado, mas o texto desparece; em seu lugar um «quadrado espelhado» com letras e números, um Código;
- [do lago, colega]:  «inseres no computador e resolves aí, directamente»;
- D: «e aparece uma daquelas Telas em Serpente, que se enrola e desenrola?»
- [...]:«não brinques, vais ver que é bem melhor...»
- havia que tirar o PORT. da mala...

quarta-feira, setembro 29, 2021

Clandestinas, as Meninas... - Mário de Carvalho

 No mais recente livro de M. de C., são apresentadas 96 curtas evocações autobiográficas (e de extensão semelhante), sem ordenação cronológica.

Recortes do texto n.º 39 («A minha escola primária»):

Nunca percebi porque é que a minha mãe não me deixou ir para a escola da Câmara. Quando passávamos pela Penha de França, via sempre aquele recanto esverdeado cheio de moçada alegre, jogos de eixo, bolas de trapo, algazarra e apetecia-me andar por lá.

Mas a minha mãe não apreciava. [...] De maneira que lá fui parar a uma escola particular, dita «externato», que era pontificada por três manas, todas professoras. [...] Carteiras duplas, quadro preto, secretária, meninos e meninas, e eu logo na segunda classe porque já trazia de casa o ler e o escrever. As meninas estavam ali clandestinamente. Era proibido. O ensino não era misto. Sempre que surgia uma hipótese de fiscalização, alguém estranho, um capitão da tropa que lá ia representar a Mocidade Portuguesa, elas eram arrumadas, pela porta do fundo, na divisão ao lado, por acaso o quarto de dormir duma das professoras. [...]

 Mário de Carvalho, De maneira que é claro…, Porto Editora, 2021 (setembro), pp. 86-87


quinta-feira, setembro 23, 2021

Almada (Retrato)

 - Almada, a 7 de Abril de 07, completou 14 anos..: 

José de Almada Negreiros [1907]
p&b; 15 × 10,4 cm
Com uma dedicatória ao avô, no verso: «Lembrança afetuosa de seu neto muito amigo 6-iv-7 José».
ANSA-F-9  - DAQUI


domingo, setembro 19, 2021

Rua Casal do Salema + Casal do Carrapito + «longínquas Raízes»...

 - no final do «Circuito», J. comentava que «os antigos sabiam fazer as coisas»; isto, porque as suas deduções foram ajudando as imagens da prima A. (a mais velha dos primos, com 73...), muito dificultadas pelo mato que tudo cobre; 

- quanto a D., lembrava-se de 2 ou 3 esbatidas imagens, de alguma visita, em criança, com o Pai Velho, de uma grande subida, após a qual havia um Moinho (está lá a ruína dele...), um Areeiro e, após este, uma Horta; - mais acima, em terreno de «outro primo», a Ruína da Casa dos bisavós, referida por A. [...]

- podia estar pior, visto que o que se pretende, o acesso às «extremas», está facilitado pelos elementos para que remete a frase acima de  J.;

- pois é, os anos foram passando [...] [«e o resto não se diz»]

sábado, setembro 11, 2021

«Reinadia» (miúda)

 - [última - de muitas viagens - antes do desligar, pelas 6 e 50]

- uma grande Sala com muitos comensais; vendo que uma MEN.a já ia para o café, quando todos os outros ainda iniciavam o repasto, aproximou-se e perguntou-lhe «se queria ler um livro»; face à positiva resposta, foi buscar um «molho» deles, que foi passando um a um, e olhando para a MEN.a, até encontrar o que lhe pareceu «adequado»...

- depois, aproximou-se uma ladina, risonha, comunicativa, com cerca de 4 anos, a quem disse que, «para ela, ia haver um livro especial»; sob a forma de Caixa, dele foi tirando envelopes com cartas; abriu o primeiro, de onde tirou a fina folha manuscrita, que abriu e entregou à Ladina, para que a segurasse cuidadosamente, com agradada resposta da mesma [...]

- aproximou-se a Mãe: «Olhe que ela é muito REINADIA»** 
[... tocou, desligou-se a MÁQ. APN...]
** [termo do avô J. R.?]

sexta-feira, agosto 13, 2021

o Rapaz Lírico

  - a General lá conseguiu levar o J. ao Chão Mat.o, ontem...; J. não iria lá há cerca de 7 anos... [8, cf. AQUI] ; terá vindo EUFórico, pelo relato que fez esta manhã, por Ph...; 
- «tens Homem», dirá D. à GEN., mais logo [...]

sábado, agosto 07, 2021

João da Mina (a história de)



Este tronco talhado em madeira holandesa, que serviu para acorrentar pessoas escravizadas no Brasil (c. 1600–1800) pertence à colecção do Rijksmuseum

- foi o artigo do Público, de hoje, que conduziu a esta e a outras ((9))histórias no Museu holandês, objecto(s)  de EXPOS. sobre 250 anos de ESCRAV.

sábado, julho 31, 2021

o vento: esse Grande Leitor

- Alameda, ontem, pelas 11 e...; afinal, o parque estava encerrado para [...]; facilmente M. o «trocou» por um sumo de laranja; sentados na ESP., quis ver, no jornal, o «medalhado Olímpico» (do judo, J. F.); 
- depois, foi «até ao Sol» e voltou; ventava, e voavam as folhas do jornal pousado na mesa; olhou-as e disse, «desprendida»:

«o vento lê o jornal muito depressa»

terça-feira, junho 22, 2021

Estacionar

 6 e 50: 3.º, e último, desligar da MÁQ. APN [...]

A General reservara de véspera. A localidade, com arvoredos, «lembrava» Sintra ou Monchique. D. levou o «RR» até ao Centro, e, por sorte, ocupou um lugar perto de 2 Vendedoras de Rua. 
Recalcitrava a General: «tens a Mania que és Rico...; tinhas ficado lá em baixo, lias e escrevias à vontade e depois vínhamos a pé...»;
- subindo a Escada para a Sala do REST., de algum nível, D. notou que vinha de camisola de alças (que, na Realidade, detesta...)

sábado, junho 19, 2021

Cinco maneiras de atrair candidatos à profissão...

  - quase de «saída», [talvez daqui a um ano....], D. há muito que verbaliza a vontade de «ter Tempo» para assistir à «inversão do Contexto» (...);

- tudo certo na Crónica de hoje de B. W., excepto referências aos «busílis»: o «desfalque» de cerca de 12 anos de «congelamento», mais as «repercussões futuras»... e o «provinciano desprezo TECNO pelo...»...; a «despudorada» ameaça de demissão do «Habilidoso C.», por «600 milhões em suaves prestações»...;

sexta-feira, junho 04, 2021

Que Nome vai ser o seu?

 - I. A., filha de D. A., a ainda jovem A. da «E. do Paraíso», em resposta humorada a Missiva de «D.de.T.» (do EX-el P. X... - reticências... «...e o resto não se diz...»), que só nomeara dois dos 4 Nomes da  Equipa VOC.al, «repontou» que «a Menina Reticências se nomeava Inês...»... (reticências...)
- «sinal que deixa tudo em aberto...», que melhor Nome para 2122, venha ou não a ser «Completo»; também desta vez, o «Nome veio ter com o Nomeado»...;
- Obrigado, I. A. [enviada localização do poema de Campos]

domingo, maio 30, 2021

Nomes e rostos...

 ... que faltava conhecer: os dos portugueses que «passaram» pelos Campos Nazis...

Ficha de Cândido Ferreira do campo de Buchenwald AROLSEN ARCHIVES

- no «P2» de hoje; [lido na ESPL. da Praça P. C..., pelas 9 e 30, enquanto era montada uma «pequena Feira»...]

- no dossiê interactivo, também no «Público»

sábado, abril 10, 2021

Bolo de Chocolate

 - antes ou depois do acordar das 5 e 30 [impossível «distinguir»]

 «Flash» A:

- a pé a caminho da «Expo», «rente» ao Paredão de Santa Apolónia, D. viu passar um carro; que fez «marcha atrás»; de lá saiu A. AZev., «grande mestre de H.da C. e das A.s, que, abrindo a bagageira, a «deu a ver» repleta de Embalagens de «leite de arroz, de aveia e outros», da marca Continente; tirou 4 delas; quando D. lhe perguntou a «origem», «deu de ombros» e abalou; D. encostou-as ao muro, esperando que «não lhas levassem e regressou a S. Paulo, para ir buscar o carro...;

«Flash» B:

- aí, o jovem cunhado F. E. (?) mostrou-lhe vários bolos de chocolate, «húmidos», «às camadas», e elogiou  a Arte doceira da Mana C. - muito mais jovem e de cabeça rapada - ; insistiu em cortar vários aos pedaços, colocando-os em 3 caixas de cartão, insistindo que «D. os levasse para os amigos»; e lá vai D., tentando equilibrar as caixas, de novo a pé, a caminho de Santa Apolónia...

sexta-feira, março 26, 2021

Oliveira (Maria Antónia e Rosa)

 - duas irmãs «da Literatura», cada uma por sua via, na(s) «Entrevista(s) Cruzada(s)», do «podcast» «Grandes Leitores» de hoje, 26 de Março, de Isabel Lucas - começa-se por Camilo... + «manias de leitura» + [...]; a partir do minuto 22.º..., Rosa [...]

-entrevista de Rosa ao «I-ON», a 31 de Maio

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Manguel: o Menino, a Cave e a Ama

 - enquanto a Biblioteca não é instalada, Manguel «adapta-se» a Lisboa, a nova Morada; na longa evocação publicada no «Expresso», vai das referências AUTOB da Infância à história de vida da Ama, alemã, a «sugestões Literárias» e ao ensaio sobre o Motivo do Confinamento

Recortes do Excerto Inicial:

Ao longo deste confinamento em Lisboa (que certamente não será o último), {...] tenho passado muito tempo a pensar na mulher que me ensinou as primeiras línguas que aprendi: inglês e alemão. Esta mulher não era a minha mãe: era uma refugiada da Alemanha, contratada pelos meus pais como minha ama quando eu tinha apenas meses de idade. Chamava-se Ellin Slonitz e tinha fugido da Alemanha nazi com os seus pais, a sua irmã e o seu irmão, logo depois de a velha sinagoga de Estugarda ter sido incendiada durante a Noite de Cristal. [...]
        Nasci em Buenos Aires, mas, quando o meu pai foi nomeado embaixador em Israel, era eu ainda bebé, mudámo-nos para Telavive, para uma casa construída recentemente, [...]. Eu e a Ellin ficámos na cave: uma grande divisão cujas janelas eram quatro pequenos retângulos perto do teto, através dos quais eu via uma nesga de céu e a relva do jardim quadrado lá fora. As quatro palmeiras que havia no meio do relvado não se viam das minhas janelas, e eu experimentava sempre grande surpresa ao dar com elas, quando a Ellin me levava para brincar no jardim; parecia que estava à espera de que elas desaparecessem quando eu dormia. A redescoberta diária da presença das palmeiras reconfortava-me muito.
Uma vez (teria eu quatro ou cinco anos), enquanto construía um cenário para os meus brinquedos de chumbo e de latão (tinha uma coleção magnífica de animais da quinta e de animais selvagens), disse à Ellin — como de costume, ela estava sentada à sua mesa, a costurar na máquina elétrica — que o nosso quarto era demasiado grande apenas para nós os dois. Na cave estavam as nossas camas, três mesas, várias cadeiras de espaldar direito e desconfortáveis, uma poltrona estofada e um colossal guarda-fatos de madeira, com portas espelhadas que duplicavam o tamanho da divisão. ~
     Ein Werdender wird immer dankbar sein”, citou a Ellin. “O homem feito é mau de contentar,/ Mas os que crescem sempre gratos serão.” E contou-me a história de quando ficou confinada durante meses com a sua família, em Estugarda, num apartamento demasiado pequeno, porque o pai dela considerava demasiado perigoso saírem à rua, sendo judeus; [...]

«Expresso», 19 – 02 – 2021


terça-feira, fevereiro 23, 2021

«Só eu escapei»

 - enquanto «a peça não volta», as 4 actrizes evocam as suas histórias de Vida, em Entrevistas filmadas:

- Márcia Breia;                 - Catarina Avelar;               - Maria Emília Correia;

- Lídia Franco;     [que D. recorda, «ligeira», na pausa da tarde, a descer as escadas da C. da C.«algures» entre 78 e 80..[

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

«A menina e o Zepelin» Ou Carta à(s) Mãe(s) OU «O século da Maior MUDANÇA»? - Rui Tavares

 -  no último parágrafo desta (inesperada?) Crónica, R. T. nega que os elementos «BIO» e «AUTOBIO» que a «reenchem» o sejam:
«Nunca ou quase nunca escrevo crónicas pessoais — e esta também não o é.» [...]
Well

RECORTES do Início: 

Numa aldeia do Ribatejo, talvez em 1937, um homem estava a trabalhar na eira quando viu passar por cima de si um dirigível que ia para a América. Chamou os seus então seis filhos para que vissem aquele prodígio, “parece um porco a voar no céu”, disse. Esse homem era o meu avô, que morreu em 1943 com 45 anos apenas, e oito filhos, o último acabado de nascer quinze dias antes. Uma das crianças que dobrava o pescoço para ver o Zeppelin — “Zorplim”, dizia-se ali na aldeia — era a minha mãe, que faz hoje noventa anos.[Na aldeia onde ela nasceu não havia eletricidade, não passavam automóveis, e o primeiro sinal da modernidade — a radiotelefonia — chegou durante a sua infância. Andava-se descalço, morria-se de tuberculose, sabia-se quem eram os “órfãos da pneumónica”, falava-se da “guerra do Hitler”. Hoje, nova pandemia, a minha mãe vê os netos e bisnetos segurando nas mãos um objeto impensável à época da sua infância, a poucos metros do edifício onde fez os seus três anos de escolaridade na aldeia. [...]


domingo, fevereiro 14, 2021

«António, que pefez 12 anos a 13» OU «o eu, eu, eu» (Narciso, por M. E. C.)

Crónica - «A troca de atenções» - de hoje; continua na p. 7, «ao lado» do «Bartoon»;

RECORTE:
[...]  Infelizmente vivemos, desde os anos 60 até cá, num crescendo de narcisismo que todos os anos parece ter atingido o cúmulo mas consegue sempre ir mais além.
     O “eu, eu, eu” baseia-se na ideia que, se não formos nós a falarmos de nós próprios, a defender-nos e a promover-nos, ninguém o fará por nós.
      Parece-me que isso é mais uma desistência dos outros e da importância que têm na nossa vida do que uma fé em nós próprios.
    Se nada esperarmos dos outros, com que cara é que os outros podem querer saber de nós? [...]

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

«silenciosa e traiçoeira» E «o resto não se diz»

 - «silenciosa e traiçoeira» foi a expressão usada por J. D. B. (Veterano ESP.), ontem, para designar o que nas Imagens lhe era revelado [...]; 
- «e o resto não se diz»

quinta-feira, fevereiro 04, 2021

«Sapatos de Corda»



E. começou a lê-lo no Verão; agora, não sabe a que «monte» foi parar; mas será fácil de reencontrar, também devido a esta «Peça» do Ípsilon , de Isabel Lucas - de onde foi  reproduzida a foto de Sala da Trabalho da Casa da Gólgota  [...]

[artigo de 2018, no «Expresso», republicado em 2019, e não só para assinantes]

domingo, janeiro 31, 2021

Guerra Colonial (Retratos ) («...ficou de fora dos...») + Angola, 61

 
Imagem reproduzida
da «Casa» do Projecto de P. B.

- D. já não se lembra exatamente do período em que o cunhado F. E., «Rapaz Forte» - então namorado da Mana C - esteve na «Zona da Lunda», no Leste de Angola; há que perguntar-lhe...; 
Do «Expresso, hoje, 02-02-2021








 -

- era «Radiotelegrafista», logo o primeiro Alvo nas Picadas, pela visibilidade do pesado equipamento que transportava [...]; 
- enviava sempre «duas versões» nos AEROG.as: uma para toda a «famelga», em que «rasurava» a Realidade - tal como todos faziam, e está documentado no trabalho da fotógrafa Patrícia Barbosa,  acabado de ler no «Público» («P2», pp. 14-15) - ; e outra para D. que, então com cerca de 14, 15, já tinha «maturidade» para receber a versão «real» da Coisa [D. sabe em que «fundo de Gaveta» ainda estão...; 
- lembra-se que o seu álbum de fotografias correspondia aos referidos nesse trabalho; e no regresso trouxe várias garrafas de bebidas caras, que, até para um simples Praça, eram muito baratas...
  quando «F. H. L.» estava no Programa, fazia-se «uma ponte» para a Poesia e a Literatura relacionada com o Tema; há muito que não se faz tal no Qd.º, naturalmente; no máximo, um ou outro poema de F. A. P. [...]

- a 14 de Março, pelos 60 anos dos [...], Patrícia Carvalho, no do P2, com fotos inéditas  [...]; e, ainda, artigo de Manuel Loff


- «O meu pai esteve na Guerra», crónica de 21 de Março, de Carmen Garcia, no «P2»

segunda-feira, janeiro 18, 2021

Os 3 pedidos de M.

- repetidos, há pouco, via «TLL», do banco traseiro do N. Eléctrico:

- não fechem a minha Escola! 
- não votem no presidente americano!
- não votem no presidente do P. (P. da C.)
- [«que fartote»]   [pois, a 22, fechou a Creche...]

sábado, janeiro 09, 2021

A Mudança

 - «APN», pelas 7;

- Verão, Feijó; cheia de «Urgência» em partir para a ZMAB, com  a Mudança «incompleta» [na realidade demorou cerca de ano e meio, 95-96...], a General dera a chave a um «Gabirú», para este «dar destino» aos trastes que restavam; furioso, D. argumentou, argumentou (por exemplo: «nem nós sabemos o que é que ainda aparecerá nessas Gavetas!»), até conseguir a «restituição» da Chave e a «dispensa» do Gabirú...

domingo, janeiro 03, 2021

CORTE ESPECIAL

 - [6 e 40, toca o DESP., desliga-se a «Máq. APN»]

Absolutamente necessário, para o Concerto dessa Noite, um Corte Especial. De manhã, muito cedo, passou a marcar, no novo Barbeiro da Trav. do C. de J. (a do P. M., por onde andou no dia 1...), mas só conseguiu vez para as 18 - com o aviso solene de ser pontual...

Quando chegou, os dois passeios estavam ocupados pela Multidão, até «lá acima», à Igreja; «furou» por entre os que «atravancavam» o espaço à frente da RECEP., e saudado pelo Mestre, ainda jovem, de óculos; ficou a observar como terminava as «franjas» do Cliente que «tinha em Mãos»...;

Alguém veio «enxotar» os que, em vão, esperavam, incluindo  «Trintão Louro »(tipo «Variações»...), «escultural», Calvo e «penugento»...; entretanto, D. pôs-se à procura da C. de B.... [...]

terça-feira, dezembro 08, 2020

Entre 4 e 8 de Dezembro de 1980: entre Sá Carneiro e Lennon

 - foi o último mês de trabalho de D. na «C. da C.» - não se lembra se já tinha ou não recebido a Carta [...]

- de 4, quinta, à noite, lembra-se de muita coisa - já as registou «por aí» [...]
- de 8, pouco, só «vagas imagens» do que disseram os jornais dos dias seguintes [...]                      
[« 5 tiros por um Autógrafo» ainda «arrepia»...]
- 40 anos depois, um «dossiê» da «Blitz» «acompanha» uma tarde de trabalho feriado, em «deserto pandémico» [...]

domingo, novembro 29, 2020

Sophia, a Mãe, Edoardo, o Filho

 - [«desligou», por momentos, para Ouvir a Chuva Intensa - sensação cada vez mais rara]

- o Fillho, Realizador, conversa com a Mãe [«Monstro Sagrado» do Cine...]

sábado, novembro 21, 2020

Cruzeiro, por Seixas

«No dia seguinte ao nosso casamento», 1967

- o «JL» republicou a «ABG», de Cruzeiro Seixas, do n.º 929, de 10 de maio de 2006, AQUI; no final, uma pequena Lista de «Desaforismos»

RECORTES:

[...] Em África expus nos anos 53 e 55, sob a égide de Aimé Cesaire, levantando grande movimento de opinião. Desde 2001, pela mão amiga da poeta e escultora Isabel Meyrelles, centenas de poemas que me atafulhavam as gavetas têm sido publicados, estando para sair o 4.º volume. [...] Hoje toda a gente passa por faculdades, e o mundo infelizmente não melhorou; se tenho alguma vaidade, ela resume-se a não ter sequer frequentado o liceu. E reprovei em Desenho durante dois anos, na António Arroio. Tudo o que reivindico é um lugar entre o Facteur Cheval e a nossa Rosa Ramalho. Quero acrescentar ainda que devo aos meus pais, uma enormíssima noção de Liberdade e de amor. Foi isso de resto tudo o que deles herdei. A este país tenho que agradecer todo o lado escuro da minha experiência. [...]

domingo, novembro 08, 2020

Os manuscritos limpos de V. F.

 5 e 30: desligar...

- «Tasca do Pai VELHO», ao «(pequeno)Balcão do Marisco» («desactivado», onde D. passava os dias a ler...);

- E. falava com J. O. (Mestre de HCA, recent.e apos.o...), sobre o último livro de V. F., «A MUR.a», datado de 1965, só agora saído (na verdade, o título é de A. B. - L., de 1957, cuja reedição viu ontem de manhã, na B.) [...];
- E. já o lera e comentava o facto de, sendo de 65, só agora ser reeditado..., e a limpeza dos (ilegíveis) manuscritos de V. F....

sexta-feira, outubro 23, 2020

«o bom Bocage lá de casa» ( «se não fosse...») + «Filmes Literários»

 - [desta vez, não houve o «Pesadelo no Q.do» do Costume...]

- 4 e 45; «desligar...»:
1.º Q.do, só com 5 Q.das, numa sala com mesa muito comprida e ecrã enorme; passado um filme sobre Stevenson, enquanto decorria outro sobre Mário de Carvalho, precisando de tempo para a «Oficina de Apresentação», E. já pensava em «saltar» outro(s) dos «Filmes Literários»  que seleccionara...

- 6 e 5; «desligar...»:
Poço dos Negros, início da subida da C. do Combro; num Microcarro parado, um Velho com cara de I. M. (sim, o de Oeiras), dizia para outro, no passeio: «não ensinam nada; nem a ler nem a escrever!»; (e enquanto arrancava) «se não fosse o Bom Bocage lá de Casa e...» (inaudível ou «esquecido»...); depois, o interlocutor dizia para outro circunstante: «a de História ainda quer tudo pormenorizado...; os outros? os outros são todos regulares, regulares...».

Máquina APN....

domingo, outubro 18, 2020

Rushdie: «A Ficção como Verdade»

[Há muito que D. não lê S. R...; foi à Estante da Sala e não encontrou nenhum: estará algum em S. António, nas Estantes de J. e de C. Bap.?]

Aos
 73, Entrevista ao «Ípsilon», a Isabel Lucas, sobre «Quichotte»...;

RECORTE:
[...]
Ainda sobre as origens deste livro, fala da ópera Don Quixote, Jules Massenet, para sublinhar que não se trata de uma imitação, mas de uma inspiração para falar de um mundo — este — onde existe uma confusão entre real e irreal.
O mundo da imaginação e o mundo objectivo sempre se sobrepuseram. As coisas têm de ser imaginadas antes de virem para a realidade. É preciso imaginar uma roda antes de fazer uma roda. Sempre houve transições entre o mundo nas nossas cabeças e o mundo à nossa volta. Mas o que está a acontecer de forma mais perturbadora é a confusão acerca da verdade em resultado da combinação de duas coisas: novas tecnologias de informação e um grupo de políticos sem escrúpulos. Há um problema quando muita gente não é capaz de distinguir entre mentira e verdade. A ficção é diferente da mentira. Margaret Atwood escreveu um ensaio muito bom sobre isto. Não me lembro das palavras exactas, mas o que ela dizia é que a literatura é acerca da verdade; a arte do romance é acerca de encontrar maneiras para a verdade, sejam quais forem; podem ser muito surrealistas ou muito naturalistas, mas o propósito é o de dizer alguma coisa que seja verdadeira acerca dos seres humanos e do mundo que construímos. Enquanto a mentira é um meio de esconder, de mascarar a verdade. A ficção e a mentira são inimigas de muitas maneiras. Muitas vezes diz-se que são a mesma coisa porque são formas de fazer acreditar. Mas a literatura está ao serviço da verdade, enquanto a mentira está ao serviço da falsidade. Num tempo como este a literatura pode refazer o contrato entre escritor e leitor, um acordo acerca do que é a verdade.
[...]

quinta-feira, outubro 01, 2020

«Escuta, Guilherme, por que é que te chamas Gui»

 - crónica de J. Miguel Tavares de hoje, no Público

RECORTE INICIAL:

Sobre Quino posso dizer isto: o meu terceiro filho chama-se Guilherme apenas para termos o prazer de o chamar “Gui” (ninguém o conhece por outro nome), tal como o adorável irmão mais novo da Mafalda. Há uma tira em que o pequeno Gui insiste, como todas as crianças, em perguntar “puquê”, “puquê”, “puquê”, e ao fim do quarto “puquê”, Mafalda suspira: “Só um ano e meio e já candidato ao gás lacrimogéneo.” [...]

terça-feira, setembro 29, 2020

«Avant et après», Gauguin

 Objeto híbrido ou «miscelânico», de 1903, de «Memórias, Diário, Auto-retrato, Manifesto e Testamento...»; a instituição que o recebeu, em troca de «impostos devidos», irá disponibilizá-lo ao Universo, digitalizado; INFO no «Público de ontem

sábado, setembro 12, 2020

«Em setembro ardem os montes e secam as fontes», Dulce M. Cardoso

 - «Setembro, setembro, setembro», na «Visão» de anteontem, 10, na série «ABG NÃO AUTORIZAD

Ilustração: Susa Monteiro

Recortes: 
      «Em adolescente o mês de Setembro desgostava-me. [...] 
      As férias grandes prolongavam-se então, até meados de outubro. As primeiras semanas sem aulas transbordavam de coisas boas, ir à praia com amigos, dar saltos do pontão do Tamariz, apanhar o comboio para espreitar Lisboa à revelia do revisor e dos pais, pedir gelados ao sr. Santini que regressava de Itália a cada primavera, subir e descer a Rua Direita deliciada com as excêntricas farpelas dos estrangeiros, apanhar boleias na Marginal, moer tardes no Tchipepa, cravar cigarros a desconhecidos, ver televisão até embater na mira técnica, chegava tão estafadamente feliz à cama que se tornava indesmentível as férias serem a criação mais conseguida de deus. Só que tudo cansa, até o prazer. Lá para o meio de agosto, o verão começava a gastar-se e eu aborrecia-me, o raio da areia pegava-se aos chinelos e às roupas, a água do mar parecia mais fria, Está cá um briol, gritava a Luísa, tão jovem no fato de banho comprado na Migacho. Tenho saudades da Luísa, que morreu há dois anos numa das enfermarias do IPO. Eu continuava a atirar-me, já sem o mesmo entusiasmo, do pontão do Tamariz, sobrava apenas meia dúzia de gatos-pingados na praia e a Teresa deixava-se ficar ao sol na toalha, estranhando a minha inábil insistência, Nunca vais conseguir saltar como os rapazes, o peso do peito escangalha-nos os mergulhos. Nessa altura, eu era quase só o meu corpo, e o meu corpo era tão eterno como o vaivém das estações, nessa altura, a morte, a minha e a dos que eu amava, não passava de uma peça mal desenhada que eu nem tentava encaixar no parco entendimento da vida. Tenho saudades da Teresa, que morreu muitos anos antes da Luísa, com as veias cheias de heroína. [...]

Em setembro ardem os montes e secam as fontes, dizia – dirá ainda – a minha mãe, o seu discurso minado por provérbios [...]


sexta-feira, agosto 28, 2020

«Bons Malandros» («Crónica dos») + «de noite não há moscas, não há relógios»

- [em fase de «adaptação a Série», segundo Z., por sugestão de jovem filho do realizador...]

- no início desta entrevista - G. R., 26 -, Zambujal, 84, evoca o «televisivo programa de Escrita», em cuja 25.ª (???)  edição, D. participou, premiado com uma ida a Salzburgo, com M. L. C., na Páscoa de 95 (...)

- quanto à «Crónica...», D. relembra 9192, ano de EST. no «PAV», com seis guiões e ida do próprio [...]

sexta-feira, agosto 21, 2020

Calças descosidas

 Zmab., 4 e 15, (1.º) desligar da APN:

Chegaram tarde a Genebra, mas ainda foi possível assistir ao desempenho Oratório de Rui Mad., num Plenário.
Na manhã seguinte, no Hotel, pelas 9, perguntou a D. «porquê tão cedo?»; ainda dava para um rápido passeio; mas, sentado, D. constatou que as suas únicas calças, apertadas, estavam descosidas...; que fazer?

segunda-feira, agosto 10, 2020

Apontamentos de Diário (C. C.)

- quando, em Jan. de 1718, com a outra «Italiana» (F.), alegou «vagas questões temporais» para voltar para Oeiras..., disse-lhes que logo «regressariam» à E. do Paraíso; assim foi e, de novo, num Qd.o de D....; 

- a C. C., «contrariava-se» os habituais «preconc.os de leituras» com Outras,  de «Além do PROG...»; 
- «reaparece», AQUI

 - e, mais recentemente, AQUI

quarta-feira, agosto 05, 2020

E.

- andava-se à procura de Nome em «E» para substituir Fausto, para o antecipadamente Extraordinário 2021...; solucionada hoje a «questão», antecipando... (... os absurdos que se prevêem...): 
Esteves (da «Tabacaria», e não só...) + Evaristo (da «Farmácia do...»):
                                          Estevaristo

domingo, julho 26, 2020

«Cara à Banda» (todos de), M.E.C.

- crónica de hoje - «A cara quiçá à banda» -, lida na ESP do Jardim da P. C.
 (ainda a pensar na CORR. de ontem à ZMAB, com J., «new chief»...)
RECORTE final:
[....] Para esta gente (isto é, nós) a máscara é apenas mais um adereço na longa e divertida caminhada para a extinção final.»

sexta-feira, julho 24, 2020

«Ó filho, vai ver a Revolução»

- (re)evocação do dia 25,  as «pequenas histórias» do «interior» do MNE, no «Público» de hoje

RECORTE:
[...] No andar de cima, ao fim da manhã, Vallera vai ao gabinete do seu chefe, Nataniel Costa — [...] No mesmo 4.º andar, vai até à sala do director-geral dos Serviços Centrais, o embaixador Humberto Morgado, 58 anos, um peso-pesado do MNE, bate à porta e espreita. “O Morgado estava reclinado para trás, em pose muito relax, com os braços cruzados atrás da nuca e as pernas esticadas e, em frente, completamente curvado e encolhido, estava o Nataniel Costa a ouvir as notícias com um pequeno transístor de pilhas colado à orelha.”
— O que queres? — pergunta-lhe Morgado.
— Saber o que é suposto eu fazer.
— Ó filho, vai almoçar e depois logo se vê!— O senhor embaixador não vai almoçar?— Dizem que está a haver uma revolução e ainda ninguém se lembrou de que este ministério existe. Alguém vai ter de estar aqui, quando um oficial ou um furriel vier bater à porta — respondeu Morgado — Ó filho, vai-te embora, vai ver a revolução!
Vallera foi buscar uma amiga — sua futura mulher — e foi para a rua. [...]

sexta-feira, junho 26, 2020

Retrato (leitura de)


Ilustração de Susa Monteiro
Recorte inicial da narrativa de Dulce Maria Cardoso, da «Visão», de 26-06

Posam com a rigidez das fotografias de estúdio, mas estão na rua. Atrás deles, há uma tosca paliçada horizontal onde despontam ervas entre as canas. Não é um casal amoroso com a sua filha bebé. É outra coisa. O meu avô, além da compleição física atlética, tem feições bonitas de ator de cinema. Lembra o Charlton Heston. De fato escuro, o seu braço direito dobra-se em ângulo reto, tornando-se numa cadeira-trono para a minha mãe. É o único do trio que não se apresenta hesitante, o único a quem nem o sol nem o futuro apequenam o olhar. A mãozinha da minha mãe agarra timidamente a da minha avó que, ao lado do marido e num plano que parece mais recuado, apresenta-se vestida de camponesa, a camisa aos quadrados e a saia preta a contrastarem com os sapatos de fivela. Os seus pés não estariam habituados a tal finura e talvez seja essa a explicação para os ter em V, à Charlot. É uma mulher feia, com monocelha e nariz adunco. Incrivelmente pequena. Tem a mão esquerda pousada sobre a barriga, estaria grávida do meu tio Manelinho, que viria a morrer aos oito meses de idade, depois de ter vomitado um líquido verde. A minha mãe nunca se refere à morte do irmão sem falar do tal líquido verde. Na fotografia, as cabeças dos três alinham-se numa reta inclinada. A segunda guerra mundial vai a meio. [...]

Dulce Maria Cardoso, «Foto #1: Para além daqui, só palavras me contam»